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Artemisia absinthium

Preciso confiar mais no meu instinto:

Menos amor

Mais absinto.

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Cansaço – Álvaro Campos (Fernando Pessoa)

O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço…

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Desespero

Ah! Meu amor!

Que bosta!

Eu te amo não basta.

A língua se contorce,

Faltam palavras,

Sobram desejos,

Abraços,

Beijos…

Ah! Meu amor!

Puta que pariu!

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Anteparo

Considero uma das poesias mais bonitas que eu já escrevi. Gosto muito, muito desses versos.

Anteparo

Parece que cresce
Que remexe, que tece
Que cria raízes
Mas é fotografia
De álbum antigo
De melancolia

Só que é tão presente
Que quando ausente
Não deixa nem respirar
E quando presente
Faz o não coerente
Para a razão se ausentar

Talvez seja eterno
O jeito mais que doce
De não falar de amor
De um amor tão calado,
Que berra pecados,
Que urra e canta…

A beleza de amar
O que o torpe destino
Não quis coroar
Pois nem coroa apresenta
E seu cetro só ostenta
Lágrimas de um trovador

E nesse império
De luxúria e mistério
Rego com lágrimas o que plantei
Um sopro de vida
Uma divina rotina
De carinhos não meus

Quem sabe outra chance
Outro dia, outro lance,
Com a sorte desnuda
Feito meu peito rasgado
Pelos lábios molhados
Que eu afirmo: são meus.

Que sirva de aviso –
Não há prejuízo
Em amar até morrer
Pois até no desamparo
O amor é o anteparo
Dos males do eu.

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Qualquer lugar

Tenho medos infantis

Coragens imensas

Defeitos singulares

Qualidades intensas

Tudo faz de mim o que sou

Tenho uma sensibilidade aguçada

Percebo coisas mesmo sem querer

Não sou capaz de sorrir quando estou triste

Não sou capaz de fingir o que não sei ser

E assim, deste jeito ímpar

Disponho-me a ser seu par

Nos piores e nos melhores momentos

Em todas as dimensões do que é amar

Nas lágrimas e nas risadas

Nas faxinas e nos pratos por lavar

Nos boletos e nas mancadas

Nos olhos fechados do beijar

Por isso beija-me

Porque não estou de passagem

Cheguei para contigo seguir viagem

Rumo a todo e qualquer lugar

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Cabelos brancos

A senhora esperava os carros pararem

Para que ela pudesse atravessar a rua.

Tantos carros –

Muitos carros! –

Nenhum deles a sentia.

A pressa deixava todos cegos.

Cegos que viam cabelos brancos,

Dificuldades nos movimentos,

E anos e mais anos e mais anos.

E a senhora ali,

Desnorteada,

Diante da ingratidão do mundo

Que ela mesma ajudou a construir.

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As nossas taças de cristal
Uníssonas em Dó
Por favor –
EXIJO –
E nessa exigência
Me regozijo:
NUNCA tenha dó de mim.

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Chegamos aos 1.000 posts!!!

Sim, chegamos. Não cheguei até aqui sozinho. Essa aqui é a minha segunda casa, e tive a ajuda de muita gente para chegar até esse número, que apesar de ser só um número, também é bastante emblemático. É parte de mim e da minha vida. Um registro das minhas crenças e das minhas percepções do mundo.

Meu muito obrigado a todos que, de alguma forma, inspiraram, viveram e dividiram comigo os momentos que me fizeram gerar tanta coisa bonita! Algumas tristes, é bem verdade, mas todas sempre cheias de amor e verdade. Não há uma única palavra nesse blog que não tenha sido de fato sentida e de alguma forma vivenciada.

Aos meu leitores/seguidores, um agradecimento especial. O carinho e as inúmeras mensagens que chegam são sempre recebidas com muito entusiasmo e felicidade. Esse blog é de vocês também! Espero que tenha levado e que continue levando palavras de conforto e encorajamento, além de inspirações de todos os tipos. Em última análise, que esse blog seja algo que acrescente alguma coisa na vida de todos vocês.

MUITO OBRIGADO!

P.S.: Esse post é 0 1.001. Rs.

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A escolha certa

Mesmo não sabendo quem eu era
Deixei de sê-lo
E não mais sendo
Acabei sendo o que eu não era
Mas que de fato eu sou –
Sempre fui

As respostas só surgiram
Quando desisti de buscar por elas
E assim acabei descobrindo que as perguntas
Sequer eram para ser aquelas!

E quando chegou a hora –
Sem pressa ou demora –
Perguntas e respostas se esvaíram
E restou apenas o aqui
O agora
O afinal

Tanto tempo me perdi
Nos excessos
Do passado
Do futuro
Que eu não me via bem ali
Ao alcance de mim
Embora cercado por muros
Que eu mesmo ergui!

E disso tudo fica a lição
Da vida que hoje vivo
Por conta da que antes não vivi:
Em dado momento –
Meu e somente meu momento –
Eu fiz uma escolha
E dela não me arrependi
Eu escolhi –
E todos os dias escolho –
O eu que eu conheci.

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Janelas

Entre tantos parapeitos,

Por que escolheste pousar justo neste?

Justo nestas janelas,

Nas minhas janelas,

Que para mim eram só mais umas janelas –

Entre tantas outras –

De onde eu via o mundo,

E de onde eu não imaginava

Que tu me vias.

 

Abriste meus olhos –

Sim, as tais janelas –

E enxergou-me por dentro,

Enquanto eu sorria do lado de fora.

 

Deixei que o fizesse sem pressa –

Mas também sem demora –

Porque eu não saberia descrever

Tudo que dentro de mim ficou

E nunca foi-se embora.

 

E desde então,

Minhas janelas seguem abertas para o mundo,

Em todo e qualquer segundo,

E de todo e qualquer jeito.

Pois sempre que pousas

No meu parapeito

Convido-te a entrar

Para repousar,

E para te aninhar

Bem dentro –

No centro –

Do meu peito.

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