Já não é chama.
Nem claridade apenas.
É companhia.
Teu passo ao lado do meu,
e o mundo encontra abrigo.

Talvez eu tenha sido apenas ponte,
aquela que serviu para reconectar
histórias,
pessoas,
memórias.
E talvez tenha sido esse,
desde o princípio,
o meu propósito.
Nobre, talvez.
Triste, com certeza.
Eu queria continuar
fazendo parte da jornada,
dividindo a paisagem,
o cotidiano,
os pequenos acontecimentos
que dão nome aos dias.
Tenho orgulho
de ter sido ponto de encontro,
passagem segura,
abrigo entre margens.
Mas, no fundo do coração,
o que eu queria mesmo
não era apenas ligar caminhos.
Era caminhar por eles.
Porque há pontes que unem destinos,
mas não seguem viagem.
E eu,
apesar de todo o orgulho,
queria ter sido mais que travessia.
Queria –
e ainda quero –
fazer parte da jornada.
-=-=-=-
Tenho feito algumas experiências no Instagram. É a poesia narrada por mim. Ficarei grato em receber qualquer tipo de feedback. 🙂
Tenho pedidos
E entregas,
Perguntas
E respostas,
Dúvidas
E certezas,
Risos
E lágrimas
Guardados sob meu colchão.
.
E durante a noite,
Quando menos espero,
Eles dão o ar de sua graça
E me acordam aflito.
.
Mas a aflição tem diminuído,
E aos poucos
Estou me acostumando a lidar
Com o que me parecia impossível.
.
Outro dia ouvi a nossa música
E peguei o violão.
Arrisquei uns acordes.
Preciso arriscar mais.
Preciso praticar mais.
Preciso viver mais.
Preciso xingar mais.
.
Tenho me arriscado cada vez mais a viver,
Ainda que haja coisas sob meu colchão.
.
Que um dia elas estejam sobre meu colchão.
.
Que um dia elas não estejam mais em meu colchão.

Tenho medos infantis
Coragens imensas
Defeitos singulares
Qualidades intensas
Tudo faz de mim o que sou
…
Tenho uma sensibilidade aguçada
Percebo coisas mesmo sem querer
Não sou capaz de sorrir quando estou triste
Não sou capaz de fingir o que não sei ser
…
E assim, deste jeito ímpar
Disponho-me a ser seu par
Nos piores e nos melhores momentos
Em todas as dimensões do que é amar
…
Nas lágrimas e nas risadas
Nas faxinas e nos pratos por lavar
Nos boletos e nas mancadas
Nos olhos fechados do beijar
…
Por isso beija-me
Porque não estou de passagem
Cheguei para contigo seguir viagem
Rumo a todo e qualquer lugar
Resolvi chamar de amor o que era pura dor
E que minhas poesias inspirava.
Talvez mais algumas palavras
Mais estrofes, mais versos
Mais telefonemas e mensagens
Mais angústia
Mais lágrimas
Mais humilhações
Mais descaso
Mais falta de respeito
Mais indignidade.
Resolvi chamar isso de amor
E hoje entendo o porquê:
Falta de amor próprio
Responsabilidade minha
E de mais ninguém.
Faltou-me coragem
Para deixar ir embora de vez
A dor que não me deixava.
E no final das contas
“Amar é quase uma dor”
Apenas quando não é amor:
É apenas dor romantizada.
O amor de fato é flor
E como toda flor
Faz valer a jornada.

Estou seguindo nesta estrada
Retas e curvas
Não deixo escapar nada
E o melhor de tudo
É que estou de carona –
Dia e noite, na madrugada –
E ainda assim me dirigindo
Por esta jornada
Que nunca se repete
E que nunca, nunca
Se acaba.

Não sou ponto de partida
Não sou ponto de chegada
Eu sou a jornada
Sou a reticência
O et cetera
Id est
A presença
A saudade
O sonho
A realidade
O brilho
A certeza
O finalmente!
O ufa!
O até que enfim
O para sempre
O até o fim.

Já dissemos tudo
Já dissemos nada
Já planejamos tudo
Já planejamos nada
E nossa roda gigante
Com aclives e declives
Dignos de um conto de fadas
Navegamos por risos e lágrimas
Nunca dantes defloradas
E entre ervas daninhas
Monstros e espinhos
Nos perdemos no caminho
Mas insistimos nesta telúrica
E epopéica jornada
Dissemos não para o sim
E sim para o não
Acorrentados pelos grilhões amor
Quer seja no prazer ou na dor
Edificamos nossas próprias prisões
Cativos de nossos próprios corações
Somos os sobreviventes
Crentes e carentes
Desse nosso mundo real
Em nada imaginário
Que a felicidade nos alcance
Que tudo seja vida post mortem
E que o medo seja esperança
Que sobre em nós a alegria das crianças
Quer seja nas madrugadas fogosas
Ou em para lá de inesquecíveis prosas
Nosso amor é assim:
Nunca talvez!
Há dias que não
Há dias que sim.

A verdade é que te pedi uma carona
E esqueci de perguntar para onde ias
E agora que aqui estamos
Perguntas para mim
Para onde é que nós vamos?
Não sabemos nem onde estamos!
E esse “nós” veio de onde?
Estavas mal intencionada
Permita-me dar uma gargalhada!
Não é mais fácil assumir
Do que simplesmente fingir
Que nos perdemos na estrada?
Sim, melhor darmos uma parada…
De agora em diante, eu dirijo
E desde logo já aviso:
Já que nos falta rumo e juízo
Será infinita essa jornada.
