Se me dessem de volta os anos,
com a borracha na mão,
eu não apagaria os enganos
nem as madrugadas em vão.
Cada porta que se fechou
me ensinou onde era a parede,
cada mão que não me segurou
me fez conhecer minha sede.
Agradeço a quem ficou
e também a quem partiu:
um me deu o que restou,
o outro, o que o vazio abriu.
Carrego as cicatrizes
como quem carrega um mapa.
Não foram dias felizes,
mas cada um foi uma etapa.
E se a dor foi o preço
de chegar até aqui,
pago de novo, e confesso:
não mudaria o que vivi.
