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O preço da eternidade

Me ofereceram o infinito
e eu baixei os olhos, em silêncio,
como quem já desceu ao inferno,
ardeu inteiro,
e voltou sabendo o nome de cada chama.

Fiquem com o paraíso.
Fiquem com os anjos, os portões dourados,
a luz que nunca se apaga.
Nada disso tem o teu cheiro.
Nada disso diz o meu nome
do jeito que a tua boca dizia.

Não me falem de eternidade.
Eu sei o que ela é.
É cada noite sem você,
cada hora que eu arrasto como um condenado,
a cama larga demais,
o travesseiro frio,
os pesadelos que voltam sempre ao mesmo lugar,
e os demônios que se sentam ao meu lado
e me chamam pelo nome
quando eu finalmente fecho os olhos.

Então escuta, céu.
Escuta, destino.
Escuta, tudo o que me prometeram:

Eu rasgo as nuvens com as unhas.
Eu queimo cada estrela que me juraram.
Eu entrego a alma, a salvação, o depois,
cada amanhã que ainda me resta,
e jogo tudo no fogo
por um instante só.

Um.

Só um.

O teu rosto a um palmo do meu,
o teu riso inteiro,
o mundo calado,
o tempo de joelhos
pedindo perdão por ter passado.

E depois, que desabe o céu.
Que se apaguem os séculos.
Que o universo inteiro me esqueça.
Eu terei vivido.

Porque mil eternidades sem você
não são vida.
São só uma morte
que se recusa a terminar.

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