há também tempestades em mim
não contidas —
apenas vivas
no que insiste em atravessar
teu eco rompe minhas madrugadas
sem aviso,
sem rumo,
sem descanso
e eu também permaneço desperto
mesmo quando o corpo cede
precipito, sim —
não por falta de ver,
mas por não caber em mim
entre fé e futuro
também me perco
e o repouso me escapa
pelas mesmas frestas
onde tua ausência insiste
te tenho em mim —
não como escolha,
mas como algo que fica e é
a falta de você
também me revira
também me atravessa
e me encontra
onde eu já não sabia existir
te querer em mim
arde igual
é febre,
é excesso,
é o que não se aquieta
e, no meio disso tudo,
eu não peço alívio
a nossa diferença?
eu tenho uma febre que aprendeu
a não pedir cura

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