Nada sinto
Ou se sinto
Minto
A tudo me submeto
Aceito
Não nego
E por fim
Nada prometo
Divago
Prolixo
Em mim
Me perco
E se me encontro
Não me acho
Olhos turvejantes
Alma vestida de preto
Puro opróbrio
De mim restou
E na sarjeta
Onde não sei sequer
Quem por bem
Ou por mal
Verdadeiramente sou
Lamento estar vivo
Enquanto lambo minhas feridas
Eis o que o destino
Para mim destinou
Proxeneta de sonhos
Outrora risonhos
Sem lágrimas
Eu choro…
Sem lágrimas
Imploro…
Por uma vida!
Quiçá menos sofrida
Quiça menos desvaída
Quiçá menos seca.
