“Lá vem aquele menino apaixonado…”
Eu sorri sem graça. O peito estava apertado.
“Uma Heineken e uma empada de camarão?”
Eu fiz que sim com a cabeça, tentando esconder uma lágrima.
Mas homens não sofrem por amor, não é mesmo? Eu não sorri dessa vez.
E enquanto eu bebia a minha cerveja e comia a minha empada, fui invadido por um aperto no peito ainda mais forte. A garganta travou por um instante, e por estar em um lugar público, achei melhor escrever. Válvula de escape.
Não sei do meu amanhã. Não sei do meu depois de amanhã. Não sei. Só sei que fiz de tudo que estava a meu alcance, e que se o meu telefone ficou mudo, a escolha não foi minha.
Olho a minha volta e ao invés de ver pessoas, vejo o rosto dela e o que ficou de nós. Vejo a nossa história. “Não me abandone!”, ela disse. E eu nunca, nunca abandonei. E ela se foi assim mesmo.
Lembrei de todos os versos que para ela escrevi. Talvez nem sejam de fato bons, mas sempre foram escritos com o coração. Lembrei também das promessas que fiz — talvez imperfeitas, talvez simples — mas igualmente sinceras. Foram versos e promessas feitos com os pés no chão.
Não vou pedir uma segunda cerveja. Hoje não.
Hoje, só reconheço o que fica:
o silêncio,
a ausência,
e o espaço que existia antes de tudo isso.