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Intervalo

“Lá vem aquele menino apaixonado…”

Eu sorri sem graça. O peito estava apertado.

“Uma Heineken e uma empada de camarão?”

Eu fiz que sim com a cabeça, tentando esconder uma lágrima.

Mas homens não sofrem por amor, não é mesmo? Eu não sorri dessa vez.

E enquanto eu bebia a minha cerveja e comia a minha empada, fui invadido por um aperto no peito ainda mais forte. A garganta travou por um instante, e por estar em um lugar público, achei melhor escrever. Válvula de escape.

Não sei do meu amanhã. Não sei do meu depois de amanhã. Não sei. Só sei que fiz de tudo que estava a meu alcance, e que se o meu telefone ficou mudo, a escolha não foi minha.

Olho a minha volta e ao invés de ver pessoas, vejo o rosto dela e o que ficou de nós. Vejo a nossa história. “Não me abandone!”, ela disse. E eu nunca, nunca abandonei. E ela se foi assim mesmo.

Lembrei de todos os versos que para ela escrevi. Talvez nem sejam de fato bons, mas sempre foram escritos com o coração. Lembrei também das promessas que fiz — talvez imperfeitas, talvez simples — mas igualmente sinceras. Foram versos e promessas feitos com os pés no chão.

Não vou pedir uma segunda cerveja. Hoje não.

Hoje, só reconheço o que fica:

o silêncio,

a ausência,

e o espaço que existia antes de tudo isso.

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Daqui a pouco eu trago a camisinha…

Lá estava eu em uma mesa cheia de gente que eu conhecia e gente que eu acabei conhecendo, quando de repente aparece um garçom na minha frente, falando baixo e olhando no fundo dos meus olhos:

– Daqui a pouco eu trago a camisinha…

Como eu estava distraído participando das conversas, essa frase surgiu como algo completamente inesperado e eu não sabia o que fazer com ela. Será que ele estava me cantando? Sim, ele era gay. Então, respondi como uma pergunta:

– Traz o quê? – perguntei

– A camisinha! – respondeu ele

– Camisinha??? – falei assustado

– Sim! Dessas para colocar a cerveja dentro! – disse ele de maneira enfática, apontando para a garrafa de Heineken que estava ao meu lado sem a tal camisinha.

Eu sorri. Ele sorriu. Ele foi embora. Eu fiquei com vergonha.

– Peguei de outra mesa. – disse ele de maneira muito educada, ao retornar com a camisinha.

– Nada como compartilhar uma camisinha, né? – disse eu para amenizar o clima.

Eu ri. Ele riu. Fim.

P.S.: A camisinha era da Amstel.

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Saint Patrick’s Day e Heineken

Sempre fui o maior propagandista da Heineken, até mesmo quando ela não era conhecida no Brasil. De alguma forma, a bendita holandesa tinha conquistado o meu coração, e como eu viajava muito mundo afora, tinha virado meu padrão de cerveja, que eu pedia sem surpresas em qualquer lugar que fosse.

Observação: Me arrependo muito de ter feito tanta propaganda. No início, por volta de 2010, meus amigos odiavam. Achavam amarga demais. Hoje em dia, todo mundo só quer saber de Heineken e o preço dela disparou no Brasil. A Heineken virou uma espécie de “cerveja ostentação”. Há gente, inclusive, que bebe Heineken sem gostar de Heineken. Vai entender…

E lá estávamos nós, eu e ela, bebendo Heineken em um Saint Patrick’s Day. Estávamos no Madero, que oferecia chopp da Heineken e da Amstel (que também é da Heineken). Sem a gente se dar conta, uma equipe da Heineken chegou até o Madero para distribuir brindes nesse dia, o que faz todo o sentido por conta da Heineken ser uma “cerveja verde” (as latas e garrafas são verdes).

Conversa vai, conversa vem (não faltava entusiasmo, assunto e nem vontade de estar ali), e percebi que havia uma fotógrafa batendo fotos de nós dois. Era uma fotógrafa da equipe da Heineken. Fui até ela para perguntar o motivo das fotos, e ela me disse que seriam usadas no site oficial da Heineken no Brasil para falar da campanha que eles estavam promovendo.

– Olha, infelizmente você não vai poder usar essas fotos…

– Mas por quê? – a fotógrafa me perguntou surpresa.

– É que trabalhamos na mesma empresa… Não é algo que queríamos deixar exatamente público…

– Nossa… Mas vocês estão tão animados e formam um casal tão bonito… Uma pena… – e começou a apagar imediatamente as fotos de sua câmera profissional. Estava visivelmente frustrada.

Não cheguei a ver as fotos. Eu mesmo fiquei triste com o pedido que precisei fazer. Não queria, mas nem sempre a vida é como a gente quer. Mesmo assim, saímos cheios de brindes da Heineken do Madero. Definitivamente, uma noite especial.

E por que estou contando tudo isso?

1) Para que conheçam o Saint Patrick’s Day – mais detalhes aqui.

2) Para dizer que a Heineken continua sendo a cerveja não artesanal que mora em meu coração.

3) E para contar que quando você está feliz, as pessoas percebem. A nossa aura muda de alguma forma. Ficamos iluminados por assim dizer. Contagiamos os outros. Viramos até modelos por conta disso. 🙂

Bebam com moderação e em casa (nada de festinhas e bares por conta da pandemia). E, sobretudo, sejam felizes! Transbordem felicidade! O mundo fica muito melhor assim.

Cheers!