Tem bateristas rápidos. E tem o Gene Hoglan.
“Crystal Mountain”, do Death, está no disco Symbolic, de 1995. Chuck Schuldiner nas guitarras e voz, Bobby Koelble na segunda guitarra, Kelly Conlin no baixo. Mas o que me prende nessa música é o que acontece atrás deles, ou melhor, o que os sustenta.
O pedal duplo do Hoglan não é parede de som. É articulado, limpo, cada nota audível mesmo nos trechos mais rápidos. Ele não usa velocidade pra impressionar, usa pra dar tração ao riff.
As mudanças de andamento são o outro ponto. A música troca de pulsação várias vezes, e ele atravessa essas transições sem emendas aparentes, como se a música sempre tivesse sido uma coisa só. Não à toa chamam ele de Relógio Atômico.
E as viradas: nunca estão ali só para preencher espaço. Cada uma anuncia a próxima parte, prepara o ouvido. Bateria pensada como composição, não como acompanhamento.
Técnica a serviço da música, nunca o contrário.
Aumenta o volume e presta atenção no que sustenta tudo por baixo.