Avatar de Desconhecido

Brisa

Ninguém pede para lembrar.
É a brisa que decide,
e chega sem bater na porta,
morna como quem já dormiu aqui.

Não traz uma imagem só.
Traz o riso inteiro,
a pele, o descuido,
e tudo o que juramos ter guardado.

O corpo entende antes da cabeça.
O peito reconhece
o que a memória ainda vai nomear.

Fecho a janela, e ela insiste.
E entendo, enfim:
a brisa não vem de fora.
Ela mora aqui.

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