Avatar de Desconhecido

Brisa

Ninguém pede para lembrar.
É a brisa que decide,
e chega sem bater na porta,
morna como quem já dormiu aqui.

Não traz uma imagem só.
Traz o riso inteiro,
a pele, o descuido,
e tudo o que juramos ter guardado.

O corpo entende antes da cabeça.
O peito reconhece
o que a memória ainda vai nomear.

Fecho a janela, e ela insiste.
E entendo, enfim:
a brisa não vem de fora.
Ela mora aqui.

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Até você

Você sussurrava
Em meus ouvidos
Feito vento leve
Feito brisa do mar…

Nunca se deu conta
Dos furacões
E tempestades
Dos maremotos
Dos rochedos
Dos raios
Dos trovões
Que causava
Bem dentro de mim

Cada palavra era um grito –
Um uivo aflito –
E eu ando meio surdo
De não mais lhe ouvir

Eu era nau
Sem rumo
E todos os rumos –
O desconhecido! –
Levavam-me
De volta
Até você.

Avatar de Desconhecido

Tempo

Relativo

Constrito

Infinito

Eterno

 

Tempo

O senhor de todos

Os momentos

Razão das lembranças

E dos esquecimentos

 

Acreditando ou não

Ainda há tempo

 

Pois que fique claro

Que aguardo ansioso –

Confesso! –

Não sou brisa leve

Sou retumbante vento.

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