A cidade floresce,
indiferente ao meu inverno –
flores que não pedi.
Mas insisto em caminhar
por entre o que ainda nasce.
Tudo se renova,
menos o que ainda dói em mim.
E mesmo assim sigo,
aprendendo com o verde
a insistir, apesar de tudo.
Há uma força antiga
que não pergunta se estou pronto –
ela apenas brota.
E eu, feito raiz teimosa,
aprendo a florescer ferido.
Pois toda primavera
já foi inverno em outra vida,
e quem atravessa
carrega no próprio peito
o verão que ainda há de vir.