Klimt passou a vida
caçando o fogo:
mulher após mulher,
o mesmo cobre ardendo,
como quem procura, sem achar nunca,
uma brasa que não coubesse em parede.
Entrei na sala e o fogo me cercou —
em cima, embaixo, por todos os lados,
as ruivas douradas, as dóceis, as adormecidas,
um incêndio inteiro feito só de luz.
E no meio de mil delas,
uma só respirava.
Ele teria dado todo o seu ouro
para ver o que eu via:
não a projeção,
mas o fogo andando ao meu lado,
parando diante de cada imagem
como quem não sabe
que é mais quadro que todos.
Saí cercado de arte por todos os lados,
levando a única que ele nunca projetou —
porque nem toda brasa cabe numa tela.