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Sou antimachista

ATUALIZAÇÃO: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/03/sao-paulo-registra-recorde-de-feminicidio-para-o-mes-de-janeiro-com-27-mortes.ghtml

É preciso mais do que nunca adotar uma postura combativa. Este discurso pátria, família e liberdade está matando as nossas mulheres!

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Como todo homem da minha geração, cresci ouvindo todos os absurdos com relação às mulheres de uma forma geral. As músicas que me foram apresentadas na escola, por exemplo, sempre se referiam à mulher como a “rainha do lar”, que nada mais é do que um eufemismo para a condição subalterna a qual todas as mulheres deveriam se submeter. Para piorar um pouco, a iniciação sexual do homem era algo conduzido pelo pai/tios, que faziam questão de levar o iniciado até um prostíbulo, reforçando a ideia de que a mulher nada mais seria do que um simples objeto, sempre submissa à vontade masculina. Como meu pai era relativamente ausente por conta da morte do meu irmão, tive a sorte de não ter que passar por isso.

Como eu disse, cresci assim. Sempre tive em mim todos os elementos necessários para ser extremamente machista. Tenho certeza que fui machista muitas vezes, mas o tempo se encarregou de me mostrar o outro lado da moeda: o lado das mulheres.

Fiz uma faculdade de Ciências Humanas (Economia), e o contato com Sociologia, Antropologia e até mesmo a Ciências Políticas, sugeriam que havia mais do que eu estava vendo (status quo). O próprio DCE da universidade aguçava a minha curiosidade. Termos como feminismo, patriarcado, sexismo, misoginia, sororidade, empoderamento e tantos outros passaram a fazer parte da minha rotina acadêmica. E o inevitável aconteceu: me interessei pelo assunto.

Confesso que, de início, achava tudo muito exagerado, mas percebi que todos os homens achavam tudo muito exagerado. E talvez isso tenha ligado o meu alerta: se as mulheres estão questionando a sociedade com relação a seus direitos, não é natural e até mesmo esperado que o grupo dominante (i.e. homens) reaja de alguma forma? E era exatamente o que estava acontecendo. As mulheres com ideiais mais progressistas começaram a ser chamadas de loucas, histéricas, bruxas (isso desde a Idade Média), e de forma mais agressiva e contundente, de vagabundas, piranhas, etc.

A técnica utilizada era simples: reduzir a mulher ao nada, invalidando seu discurso. Rotular para que “tudo fique bem” (i.e. para que a dominância masculina se perpetue). Usar a religião como ferramenta de controle. Usar o termo família e casamento como se fossem prisões. Enfim… Uma série de técnicas de manipulação que sempre se mostraram eficazes, mas que começaram a perder a sua efetividade na medida em que as mulheres insistiam em fazer valer os seus direitos e suas vontades.

Com o tempo, vieram as grandes conquistas. A Lei Maria da Penha, a tipificação penal do feminicídio, a presença das mulheres nas Forças Armadas e nas Polícias, e até mesmo séries temáticas como Law & Order: Special Victims Unit.

Em 2008, me tornei pai de uma menina. Foi a gota que faltava para o copo transbordar de vez. Graças a ela, tive a chance de perceber detalhes sobre o machismo que me eram completamente desconhecidos. Senti na pele as dores que ela teve que sentir por ser mulher, e rompi de vez com essa ideia de que as mulheres progressistas são simplesmente rebeldes sem causa. Não são. Nunca foram. Nunca serão. São apenas mulheres se protegendo e fazendo valer os seus direitos, suas vontades.

Mas a luta está só começando. Apesar de todo o esforço, ainda é bem comum ver homens que acham que as mulheres são suas posses ou propiedades. Homens que não aceitam que não é não. Homens que se valem de ferramentas bárbaras para manterem suas mulheres, quero dizer, seus objetos a sua disposição. Homens que se separariam de suas companheiras facilmente se encontrassem uma nova parceira, mas que não admitem serem preteridos, tal como se sua honra dependesse da manutenção de sua condição de homem tóxico, abusador, manipulador, perverso e potencialmente perigoso.

Não há um único dia em que não se encontre um crime bárbaro contra a mulher. O que mais choca é o feminicídio por motivos óbvios. A média é de 4 mulheres mortas por dia, número este que só cresce, apesar da queda geral de mortes violentas no Brasil. Ainda assim, há todo um outro rol de crimes que vou listar aqui com a ajuda de meu companheiro inseparável Copilot.

Tipos de violência/crime contra a mulher (Lei Maria da Penha)

A Lei Maria da Penha reconhece cinco tipos principais de violência doméstica e familiar (art. 7º):

1) Violência Física

Qualquer conduta que ofenda a integridade ou a saúde corporal.

  • Exemplos: tapas, socos, chutes, empurrões, estrangulamento, queimaduras, ferimentos com objetos ou armas.

2) Violência Psicológica

Ações que causem dano emocional, diminuam a autoestima ou controlem comportamentos.

  • Exemplos: ameaças, humilhações, manipulação, isolamento, perseguição (stalking), chantagem, vigilância constante, gaslighting.

3) Violência Sexual

Constranger, forçar ou coagir a mulher a práticas sexuais não consentidas.

  • Exemplos: estupro (inclusive conjugal), impedir contracepção, forçar gravidez/aborto, exploração sexual.

4) Violência Patrimonial

Retenção, subtração ou destruição de bens, documentos, valores e recursos econômicos.

  • Exemplos: controlar dinheiro, destruir documentos, reter salário, não pagar pensão, dano a objetos.

5) Violência Moral

Ataques à honra por meio de crimes contra a honra.

  • Exemplos: calúnia, difamação e injúria.

⚖️ Outros crimes frequentes contra a mulher (Código Penal e leis específicas)

Além das cinco categorias da Lei Maria da Penha, a legislação brasileira tipifica outros crimes relevantes:

Crimes cibernéticos: invasão de dispositivo, divulgação de imagens íntimas sem consentimento (Lei Carolina Dieckmann – Lei nº 12.737/2012).

Feminicídio (já mencionado anteriormente): matar mulher por razões da condição do sexo feminino; desde 2024 é crime autônomo com pena agravada (Lei nº 14.994/2024).

Importunação sexual: ato libidinoso sem consentimento (Lei nº 13.718/2018).

Stalking (perseguição): perseguição reiterada que ameaça integridade física/psicológica (Lei nº 14.132/2021).

Crimes sexuais (estupro, estupro de vulnerável): com agravantes e regras específicas; atenuantes foram extintas para crimes sexuais contra mulheres (Lei de 2025).

Enfim… A moral da história é que não basta não ser machista. É preciso caminhar lado a lado com as mulheres e ser de fato antimachista. É entender que o machismo não é aceitável, e que deve ser repreendido sempre, nos menores detalhes. E sim, é preciso que todos os homens (todos, absolutamente todos), policiem os seus comportamentos. O machismo estrutural, que é o conjunto de normas, práticas, valores e instituições que organizam a sociedade de forma desigual com base no gênero, favorecendo homens e colocando mulheres em posição de desvantagem — independentemente da intenção individual das pessoas, precisa ser combatido. Ou seja, não se trata apenas de atitudes machistas isoladas, mas de uma estrutura social que naturaliza e banaliza a desigualdade entre homens e mulheres.

É isso! Homens e mulheres lado a lado, lutando por uma causa em comum. Chega de machismo! Chega! E para fechar com chave de ouro: feminismo não é a crença de superioridade feminina; é a busca por igualdade. É a busca por igualdade de direitos. É a percepção de que a diferença (de gênero, no caso) não é sinônimo de inferioridade.

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Romantismo para os homens

Nenhum homem deixa de ser romântico da noite para o dia. A porta do carro sendo aberta, o descer na frente e o subir atrás em um lance de escada, o posicionar a cadeira para a dama se sentar, as flores, os cartões, os jantares, e as surpresas de todos os tipos fazem parte do romantismo.

Se o seu homem romântico se transformar em um ogro, tenho certeza de que o caminho mais fácil será culpá-lo. “Ele não me ama mais…” ou “Ele tem outra…” costumam ser as “justificativas” mais comuns. Entretanto, peço apenas que reflita sobre o assunto. “Da noite para o dia” na mente feminina pode se traduzir em meses ou até em anos. Ou pode ser um acontecimento estanque, único, que simplesmente inibiu suas atitudes românticas. “Nossa! Como ele está mudado…“, sendo que ele pode estar simplesmente se sentindo desprezado, ignorado. Homens românticos são sensíveis! É bom que isso esteja claro.

Nem de longe estou defendendo os homens em geral. A grande maioria realmente é formada por ogros. É um fato. São românticos até conseguirem o que querem. Entretanto, se você quer um homem romântico de verdade em sua vida, permita que ele exerça seu romantismo, pois românticos de verdade são incuráveis, e procuram mulheres que apreciam este dom.

Há outra opção, claro. Você pode sair por aí dizendo que todos os homens são iguais e que este, como todos os outros, só queria sexo. “Foi romântico até a conquista” costuma ser bem aceito nas rodas femininas. Nenhuma amiga sua vai discordar. Apenas entenda que estes não são românticos de verdade. Apenas isso. São conquistadores baratos.

P.S.: Homens, não usem como desculpa para não serem românticos uma eventual falta de dinheiro ou tempo. Uma guardanapo é o suficiente para que se demonstre algum nível de romantismo. E por mais que as mulheres jurem que isso é cafona ou demodé, no fundo elas esperam sempre que seus homens sejam príncipes encantados. Guardem as sua “ogrices” para momentos adequados.

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Silhueta

Há vários tipos de mulheres

E gosto de todos eles

Na prática, tanto faz

Desde que seja você.

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Estupro

Três posts meus sobre o mesmo assunto no Facebook.

Post 1
Sou a favor da remoção do porte de piroca dos estupradores (se é que vocês me entendem).

Post 2
A minha “cultura do estupro” é bem simples: como ter uma ereção no meio de uma porrada de gente? Como compartilhar uma mulher drogada, desacordada? Como fazer algo onde outros 32 estão fazendo? Como fazer algo não consentido? Como sentir prazer vendo uma pessoa sentir dor, se o verdadeiro prazer é ver o outro sentir prazer? Como não ligar para a mulher no dia seguinte? Como não trata-la como uma mulher? Acho que sofro de algum tipo de distúrbio ou disfunção sexual.

Post 3
Falamos de um estupro coletivo que veio a tona. Choca. Agride. Não podemos deixar passar em branco. Óbvio! Mas… Quantas mulheres, nesse momento, guardam dentro de si estupros, agressões, abusos e humilhações de todos os tipos, porque não foram filmadas, expostas, ou porque não tiveram a coragem de passar pela “humilhação” de serem vítimas? NÃO é NÃO! Se existe uma “cultura do estupro”, esta se traduz no mais absoluto silêncio e até mesmo na omissão de parentes, amigos e autoridades competentes.

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Bendito Gräfenberg!

Tolos… O ponto G fica nos ouvidos!

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