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Com frio

As pequenas esperanças 
ainda vivem — encolhidas — 
no fundo da gaveta de meias, 

tremendo de frio, 
convencidas de que foram deixadas 
para depois. 

Não dormem por vontade, 
mas porque alguém as embalou 
num sono sem sonho, 

hipnotizadas 
pelo peso dos dias. 

Essas esperanças — 
que já ocuparam a casa inteira — 
agora encolhem, 
desaparecem devagar, 
como quem aprende 
a não pedir mais nada.

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