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Presença

Há quem passe.
Ela marca.

Não pede licença ao espaço:
é o espaço que se ajeita
quando ela chega.

Amorosa, sem ser frágil.
Sensível, sem se desfazer.
Profunda como quem já desceu
ao fundo de si
e voltou trazendo luz.

Implica, provoca, ri.
A inteligência dela
não cabe quieta.

Promete pouco.
Cumpre tudo.
A palavra dela tem peso de chão.

É cheia de planos,
de ideias que não param,
de projetos que nascem uns dos outros —
transborda vida
como quem tem demais pra caber
num corpo só.

Hoje ela se olha
como quem reencontra uma velha conhecida
e descobre que nunca a conheceu
e gosta do que vê.

Não está voltando a ser quem era.
Está chegando, pela primeira vez,
a quem sempre foi.

Tem algo de mágico nisso:
uma mulher que se cura
e cura o ar a sua volta.

E nem precisa usar tudo o que tem.
O pouco dela
já é mais do que o muito de quase todo mundo.

Ela intimida.
E é por isso que desperta.
Potência não pede permissão:
acontece,
e o resto do mundo
que se ajuste.

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