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Poça

Choveu durante a noite.

De manhã,
a cidade parecia ter esquecido
alguma coisa na rua.

Uma cadeira molhada,
três folhas grudadas no asfalto,
um jornal ilegível
e uma poça.

Passei por tudo
sem procurar significado.

Há dias em que o mundo
não quer ser metáfora.

Quer apenas estar ali,
com suas calçadas,
seus ônibus atrasados,
suas janelas ainda acesas.

Mas levei comigo
isto:

Naquela poça,
por alguns segundos,
o céu estava inteiro.

Depois veio um carro.

E passou por cima.

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