Tem dias em que a vida parece o fundo do poço. Tudo pesa mais, as perdas chegam juntas, e a gente se pergunta como foi parar ali. Mas fundo é chão. E é do chão que a gente levanta.
Não sei quando vai melhorar. Não sei como, nem por onde. Só sei que vai. Porque já vivi outros dias assim, e todos passaram. Porque nunca vi uma noite que não terminasse em manhã. E porque, por mais que me tirem coisas e pessoas, ainda sobra o principal: eu.
Confesso: hoje eu fui derrubado. Não estou inteiro, nem de pé. Estou no chão. Mas, como eu disse, chão é de onde a gente levanta. Não hoje, talvez. Mas levanta.
Isso é fé. Não a fé de quem espera um milagre, mas a de quem sabe que o tempo cuida de muita coisa e que a gente cuida do resto.
Hoje ela me basta. Amanhã, a gente vê.
“A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas só pode ser vivida olhando-se para a frente.” — Søren Kierkegaard”