Avatar de Desconhecido

Leve

Abri a janela hoje cedo
e o ar entrou sem pedir licença,
como quem sabe o caminho.

A casa respira diferente.
Sobra espaço nos cantos,
sobra tempo nas manhãs,
sobra silêncio,
e o silêncio, agora,
não espera ninguém.

O violão voltou para o colo.
A câmera, para os olhos.
A poesia, para mim.

Não carrego mais
o peso de uma porta
que eu ficava vigiando.

Tem dias que a liberdade
não chega gritando.
Chega assim:
um café quente,
uma luz bonita na parede,
e a certeza tranquila
de que tudo o que é meu
ficou.

Deixe um comentário