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Vinte e um anos sem meu pai

Hoje encontrei as abotoaduras do meu pai.

Procurei por elas — não sei bem por quê, ou talvez saiba — e lá estavam, guardadas, esperando. Segurei-as na mão e, por um instante, ele estava ali comigo: o terno bem cortado, a gravata no lugar certo, o perfume Van Cleef que anunciava sua chegada antes mesmo de ele entrar na sala. Meu pai saía assim, todas as manhãs, arrumado como quem respeita o próprio trabalho e quem vai encontrar.

Essa é a cena que mais me volta quando penso nele: um homem que se vestia bem porque se importava — com o trabalho, com a família, com a própria palavra. Um homem honesto, trabalhador, de uma retidão que não se media em grandes gestos, mas na constância de todos os dias.

Faz vinte e um anos que ele se foi. E ainda assim, hoje, segurando essas abotoaduras, foi como se fosse ontem. O tempo passa e muda tudo à sua volta — menos isso. Menos a lembrança de um pai que, sem precisar dizer muito, ensinou o que significa ser um homem íntegro.

Onde quer que você esteja, pai: ainda uso o que você me deixou. Não as abotoaduras — o exemplo.

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Dia do Idoso

Eu vi minha bisa, meus avós e avôs, envelhecendo. Vi meu pai falecer antes de envelhecer. E hoje vejo minha mãe envelhecendo.

Já perdi muita gente boa por conta da idade. Rugas… Marcas das lutas, da coragem, que jamais serão disfarçadas pelo tempo.

E quando falo de coragem, é porque carrego comigo esses exemplos. Os que vieram antes de mim eram corajosos. Eram bravos! Eram luz na minha vida! E na sua humildade, escondiam imenso saber.

Quem me conhece sabe que tenho um fraco (muito forte) por crianças e idosos. Crianças por serem o futuro, e idosos por carregarem o que nem imagino ser o seu passado.

Escolham um idoso qualquer na rua. Reparem bem! Percebam a fragilidade do corpo (na maioria dos casos), mas não os julguem por isso. Cada idoso já tem a sua própria história, e não nego que esse tempo todo na Terra me fascina.

A senhora maltrapilha, talvez já tenha sido madame. O senhor que fala sozinho, talvez já tenha ensinado muita gente a falar. O idoso cadeirante, que não consegue sequer fazer suas necessidades sozinho, talvez já tenha salvo a vida de muitos.

E é por isso que largo o que eu estiver fazendo para ajudar os idosos. Não é só amor; é admiração; é respeito. É o reconhecimento de que correram, pularam, trabalharam, e agora só precisam de uma velhice digna.

Então, eu peço de coração: cuide sempre dos idosos. Mostre para seu filho(a) a importância que tiveram em sua vida. Não os esconda. Não os abandone. Seja por eles o que eles já foram por você.

É certo que há idosos chatos, muitos deles doentes. A gente nunca sabe pelo que já passaram na vida.

E hoje eu estou aqui, diante de TODOS os idosos do mundo, prestando a minha homenagem. Vocês NUNCA serão um fardo. E se Deus quiser, um dia, quando eu for um idoso, que eu seja honrado pelos que vieram antes de mim.

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