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Porta-Retrato

Outra autoral… 🙂

Porta-Retrato

Eu menti, confesso
Não me livrei das evidências
Do muito e do pouco
Que um dia já tivemos
Do que ainda temos
Simplesmente guardei
E simplesmente ignorei
As promessas que fiz
Conscientemente
Eu ignorei os riscos.

Eram como o cheiro do perfume
Que de fato nunca senti
Eram como fartos beijos
Que nunca experimentei
Eram – não mais são
Deixei-as ir embora
Foram-se todas de última hora
Eu fiquei me sentindo sozinho
Foi-se um pedaço de mim.

Agora não mais minto
Eu simplesmente penso e sinto
Talvez meu sorriso
Não mais seja o mesmo
E a dor que sinto
Eu esconda de mim mesmo
Abri mão do que significava muito
E em nome de um amor
Muito mais do que profundo
Escolhi a carência
Foram-se todas as evidências.

Hoje, o dia está mais frio
O calor mais distante
Sim, foi puro egoísmo
Truques baixos do amor
Mas o dia de fato está mais frio
E ainda assim eu sorrio
O mundo não acabou
Foi-se apenas o que nunca
Por mais que eu tenha cuidado
Ninguém me prometeu.

Continua aqui o porta-retrato

Vazio

Mas continua.

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Inevitável

Não seria minha se fosse fácil
Queria eu, ainda assim, que fosse
Se prefiro salgado ou doce?
Tanto faz… Sirva-me.

Quero café, almoço e janta
Quero lanches e também –
A fartura e a abundância desse alguém
E os sorrisos, os lábios etílicos.

Sim, você me deixa embriagado
Por mais que eu coma – não surte efeito!
Sua glicose exijo por direito
Que não tenho, mas finjo que não sei disso.

Quanta hipocrisia para uma só poesia!
Por que metáforas para falar de sexo,
Se só faz sentido ou passa a ter nexo,
Imaginar-me dentro de você?

E ainda assim você é iguaria…
Daquelas que se viaja para comer,
Daquelas que ardem e fazem arder,
Daquelas que eu quero todo dia.

Essas linhas merecem, por certo
Um final para lá de épico e apotético
E ainda que seja conto de fadas ou sonho erótico
É verdadeiro – sabemos disso.

Permita-me tentar.

Você é inevitável e sabe disso
Não ouso listar suas qualidades
Vai que deixo a lista pela metade?
Imperdoável erro de criança.

Vai que com sua pedagogia
E com sua risada um pouco recatada
Consegue resgatar uma alma desgarrada
Que apaixonou-se… Que apaixonou-se.

Você é inevitável – já disse isso
Algumas coisas eu recito e repito
E mesmo diante desse amor aflito
Não canso de pensar em te comer.

Vulgar eu sou? Talvez.
Mas você sabe o que estou oferecendo
Vem para mim, agora, voando, correndo
Também sou inevitável – eu sei disso.

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Com fiança

Nunca confie
Em quem só te procura
Quando tem problemas

Quem divide problemas
Deve dividir felicidade
Também

Depósito de problemas?
Analista
Amigo é para tudo

Liberte-se
Se for o caso
Pague a fiança

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Apertando o Play…

Depois de uma conversa
Nada melhor do que
Apertar o Play
E ver a novela que
Está gravada

Está gravada
E o que não está gravado
Que se perca!

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Com ou sem nexo

Mais uma autoral… 🙂

Com ou sem nexo

Foi-se e ainda assim voltou
Isolou-se, mas ressurgiu.
Sob suas asas de anja ou fada,
Impávida história a ser revelada,
Carecendo de senso ou razão,
Abundando ardor e sofreguidão.

Quanta culpa que carregam!
Ultrajante mundo materialista!
Ainda que tentem disfarçar o nexo,
Nos olhos dele e nos ouvidos dela – sexo!
Tamanha distância é prudente, contudo –
Incríveis almas de outro mundo!
Carecem de si mesmas e nem sabem o porque
Atraídos pelo universo, não carecem de entender.

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Sob o Mar

Autoral das antigas. 🙂

Sob o Mar

Procurei por muito tempo um cais,
Onde eu pudesse largar meu barco,
Depois de tempestades inenarráveis,
Depois de tempestades inimagináveis,
Reais, sobretudo, dentro de mim.

O mar da vida me afogava em seus braços,
E ainda assim, apesar do meu cansaço,
Conseguia nadar, respirar, vomitar,
Só para ver novamente os olhos de cemitério
Com que me olhavam, rasgavam, ruminavam.

Novamente sim! Era essa a rotina.
Perdoar, crescer, transcender, elucidar, clarear,
Para me ver gemer, granir, gritar, ejacular de dor.
Dor, meu maior prazer era a dor.
Que ser humano pode viver se não tiver prazer?

E as ondas do mar me lavavam, me levavam,
Me consumiam, cada dia mais, sempre mais.
Os dias eram paredes de água, onde viviam dragões lendários,
Queria ser um peixe, para viver protegido em um aquário,
De água ácida, minhas lágrimas, meu pó de mim.

Minhas cinzas, então, se diluíam nessas águas turbulentas.
Vida ainda possuíam, apesar do frio cinza de seus corpos.
Já se afogaram, morreram, ressuscitaram, reencarnaram.
Intensamente são bravas, inquebráveis, etéreas, afáveis.
Miragem! Vejo uma ilha vindo para perto de mim.

Chegou, colou os cacos, juntou os pedaços,
Queimou as cinzas, transformou-as em algo desejável.
Tirou do abismo, revelou meu maior, total e único tesouro:
Sou ouro, sou raro, sou muito, sou feliz, sou louco.
Ilha, onde andavas? Tanto tempo passei sem ti.

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Dia V

Última autoral do dia. 🙂

Dia V

Vozes em minha mente
Tentam me revelar
Se é paixão, loucura, devassidão
Indefinido cheiro, nobre, vulgar.

Eclipse da razão
Porta fechada dentro do eu
Amnésia total, eu me lembro
Será que alguém esqueceu?

Várias noites em claro
Cercado por uma completa escuridão
Etérea como uma pedra
Meu epitáfio ou minha redenção?

Um calor como o do fogo
Me queima, mas me dá prazer
Me flagro de dentro para fora
Minhas vísceras querendo me esconder.

Sete pecados dos mais terríveis
Todos eles completamente iguais
Filhos dos meus atos – minha vida!
Me absolvo, sou mais do que capaz.

Cansado, finalmente me entrego
Não vejo porque me recriminar
Paixão, loucura, devassidão
Amar, amar, amar e amar.

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Dia III

Mais uma autoral estilo “velha guarda”. 🙂

Dia III

Obrigado, meu bom Deus
Por me deixar viver mais um dia
Sem esse amor não existiria
Nem metade do meu ser.

Força igual não há
Procurei, consegui encontrar
Do meu lado, sem eu ter que pagar
O preço de me prostituir.

Jamais pensei que tais olhos
Que me viam com verdade
E ainda assim, sinceridade
Seriam começo, meio, sem fim.

Hoje meu pranto é outro
Minhas lágrimas são doces
Que seja como se fosse
O dia em que eu nasci.

Abalroou minha cabeça
Minhas crenças, minha razão
Ressuscitou meu coração
Que bate sem pressa, enfim.

Obrigado, meu bom Deus
Agradecimentos nunca serão demais
Sou feliz, sou a tua paz
Meu passado me faz rir.

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Dia I

Mais uma autoral das antigas. 🙂

Dia I

Acordo ouvindo o telefone
Que não tocou, irá tocar?
Me abraço à minha cama, angustiado
Onde você estiver, estará?

Sem sono, minha conclusão!
Pela janela já vejo o Sol acordar
Sem dramas, a vida continua
Apesar do meu corpo preferir parar.

Um ímpeto de fúria me levanta.
Me sinto uma solitária criança
Deixada só, consigo mesma,
Vou sem minha música, executar minha dança.

O mar me acolhe em seus braços
Revejo amigos, não os vejo
Estou cerca de 1.200 quilômetros
Do meu mais medular desejo.

Uma cerveja, por favor
Duas, três, até eu vomitar
Minha dor, minha solidão…
Deus, estou sem meu sacro altar.

A única cor que existe é cinza –
O fogo queima sem nenhum calor
Guimbas de cigarro me encaram
Estraçalhadas pelo meu pavor.

Volto para casa depois do Sol
Um banho morno para relaxar.
Me leva pelo ralo, água!
Me chove onde eu possa me condensar.

Telefone, por favor, toca
Imediatamente ouço seu tilintar
“Não, não é daqui não…”
Merda,
Vejo seu rosto,
Me liga,
Me faz funcionar.

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Memorável

Essa é das antigas… Mais uma vez, autoral. 🙂

Memorável

Talvez a graça esteja no teu ir e vir
No teu não voltar
No teu ficar
No imprevisível que vem de ti

Talvez esteja nas tuas falas
No que com convicação afirmas
No que dizes sem dizer
No teu silêncio que cativa a alma

Ou talvez esteja no teu hálito
No ar que respiras
Nas ruas que desfilas
Mesmo que não seja para mim

Quiçá és bruja e eu nem sei
E a beleza que ostentas
É Digna do Museo del Prado
Pura alma cigana – incomparável

E nas curvas que não naveguei
Nos teus gostos que nunca provei
Afogo-me entre risos e lágrimas
E clamo para que não rias dos meus pecados

Que fique claro:

Não careço de licença
Nem preciso de tua permissão
Para que com pura sofreguidão
Eu engula-te sem deixar sobrar nada

És bem mais que memorável
Sempre foste e ainda és
A leveza que pode ter uma mulher
Mesclada com uma égua chucra indomável

Memorável
Memorável
Infinitamente memorável