Não é o sol brilhando alto,
nem a festa, nem a multidão.
É apenas a tarde quieta
assentando luz no coração.
Não pede mais um horizonte,
nem exige outro lugar.
Faz morada no instante simples,
sem pressa de se transformar.
É o café que ainda aquece,
a janela aberta ao vento,
o silêncio que não machuca,
mas se veste de contentamento.
É saber que a vida passa
com seus risos e seus ais,
e ainda assim agradecer
pelos pequenos sinais.
Porque há riqueza escondida
naquilo que permanece:
um afeto, uma lembrança,
a paz que amanhece.
E quando o mundo acelera
com promessas de ir além,
o contentamento sussurra:
“O que você procura, talvez já tenha também.”
