Avatar de Desconhecido

Basta a mão

No canto, o violão descansa.

Parece quieto, mas não está vazio —
guarda na madeira tudo o que já foi.

As noites em que o toquei inteiro,
com os dedos doendo de tanto insistir.

As tardes de descaso,
um acorde solto e nada mais.

As alegrias que pediram música,
e as dores que também pediram.

Ele não escolhe, não julga, não esquece.
Só recebe o que ponho nele
e devolve em música.

Esteve comigo em cada travessia —
ora em silêncio, ora em som,
guardando ou devolvendo o que eu trazia.

Agora repousa.
Mas basta a mão
para que tudo volte a soar um dia.

Deixe uma resposta