Avatar de Desconhecido

Nossa Sina

Faz-se luz na noite do meu dia,
Quando desfilas calma, silenciosa,
Iluminando os alicerces de minh’alma,
Sem saber que o fazes, pois não me conheces,
Ainda assim atendes minhas lúgubres preces,
Seguindo teu destino que te funde ao meu.

Não sei por onde andas, aonde vais,
Pois também não te conheço,
Mas é inegável que tenho por ti grande apreço,
Pelo simples fato de saber que existes.
Dirijo-me para ti, de cabeça em riste,
Com meu lábaro manchado de sangue.

Açoitado fui, vítima de escárnio,
Mas ainda assim respeito as tiranias
Dos que se julgam senhores – pura verborragia!
Mesmo quando o desespero assolava meu leito,
Sonhava em ti, por ti, para que em teu peito
Pudesse alcançar a verdade por detrás.

E tu esperas por mim, sem perceber,
Caminhando os nossos turvejantes dias,
Para acabar de vez com nossa sentimental anemia.
Lembre-se que, quando chegares, nada será como antes,
E eu que ainda sou um mero cavaleiro errante,
Darei grande brado, para em nossa etérea plaga descansar.

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Açoite

Quando a noite chega, chega também o açoite

Chega a saudade que mato no álcool

Chega nos canais de TV que evito ver

Chega no desejo que nego

Chega no saber que estás sei lá onde

Quando o dia chega, chega também o açoite

Mais uma noite que passei sem ti

Meu corpo sem teu cheiro

Os lençóis arrumados e ilesos

Mais um café sem gosto

Queria eu ter o poder de voltar no tempo

Para refazer ou reescrever o momento

Que confesso, desconheço

Em que nos perdemos um do outro

Queria eu ter o poder avançar o tempo

Até viver ou sentir por um momento

Que te esqueci e não me lembro

Que não sei viver sem ti

Açoite

Noite e dia

Dia e noite

Açoite

Açoite

Açoite

Açoite

Açoite