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Podcast 13: Amor, busca e mistério

Pip: Agora Babou de volta, e Fabio Ottolini chegou com muita coisa para dizer sobre amor, sobre o que nos move por dentro, e sobre o que a xícara de café guarda no fundo.

Mara: Exatamente. Vamos passar por três territórios: o amor como ação e encontro, a busca interior e o peso de enxergar o que os outros não veem, e o cotidiano como lugar de sentido. Começa pelo amor.

Amor como ato e encontro

Pip: O que é o amor, afinal — sentimento, declaração, ou alguma coisa que só existe quando você faz alguma coisa com ela?

Mara: Em “Em busca da verdade”, a resposta vem assim: “O amor se retroalimenta de coisas pequenas, da intimidade, da cumplicidade, da atenção aos mínimos detalhes, da generosidade e da sinceridade, da desavença e do entendimento, do perdão, da compreensão.”

Pip: Então o amor não é o gesto grandioso. É o tecido miúdo do dia a dia — e quando esse tecido se desfaz, não sobra muito.

Mara: “No ato” vai direto nessa direção: “por que amar é como fazer, nada é feito sem ato.” Amar sem agir não conta. E “Brilho que arde” coloca o encontro como colisão — dois mundos que se chocam e saem mais vivos.

Pip: “O chamado” fecha esse arco de forma bonita: ninguém planejou o encontro, ninguém chamou de propósito. O universo simplesmente conspirou.

Mara: Próximo passo: o que acontece quando você enxerga coisas que ninguém mais quer ver.

Cassandra e a busca interior

Pip: Tem uma tensão difícil em perceber verdades antes da hora — e carregar isso sozinho.

Mara: “Cassandra” nomeia exatamente isso: “a maldição de Cassandra nunca foi conhecer o futuro. Foi perceber a ausência quando ela ainda se chamava esperança.”

Pip: Saber o que vem aí e não conseguir que ninguém ouça. Isso não é dom, como o poema diz — é peso.

Mara: “Exaustão” chega no limite disso: quem busca luz por tanto tempo que já não quer mais luz, só descanso. E “Mapas” mostra a virada — aves, marés, faróis, nenhum sinal externo resolve. Só a coragem de falar.

Pip: “Escavação” diz o mesmo de outro ângulo: cada pergunta remove terra, e quem passa julga inútil. Mas não se procura terra — procura-se água.

Mara: “Meu maior defeito” inverte o peso todo: ver beleza em absolutamente tudo, até na falha, até no fim. E “A última prece” fecha com fé e dúvida lado a lado — paz de ter tentado, tristeza de não ter conseguido, e a esperança de que esperança não seja engano.

Pip: Do peso de enxergar demais para o peso de existir no dia a dia — que também tem os seus segredos.

O cotidiano como lugar de sentido

Pip: Às vezes o sentido não está no grande gesto — está na xícara, na chave perdida, no gole de vinho no silêncio.

Mara: “Fumegante” abre com isso: “xícara fumega, o aroma desperta memórias antigas. No fundo, a borra escura guarda o que o dia esconde.”

Pip: A borra escura como arquivo do que não foi dito. Elegante.

Mara: “Pequena metafísica doméstica” expande: as paredes esquecem, os livros acumulam poeira, e nós atravessamos tudo imaginando que somos diferentes — até achar um bilhete esquecido entre páginas. “No silêncio do gole” fecha o ciclo com o vinho que deslaça a alma.

Pip: Três objetos, três formas de parar o tempo por um instante.


Mara: Amor que se faz em atos, verdades que ninguém quer ouvir, e o cotidiano que guarda mais do que parece.

Pip: Tudo isso no mesmo Agora Babou. Até a próxima.

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Podcast 12: Memória, amor e espelho

Pip: Agora Babou, onde a poesia e a prosa se recusam a ir dormir cedo.

Mara: Neste episódio, mergulhamos nos textos de Fabio Ottolini — amor e intimidade, as marcas que a ausência deixa, e o que encontramos quando nos olhamos no espelho.

Pip: Território familiar e desconfortável ao mesmo tempo.

Mara: Exatamente o lugar onde esses textos vivem. Vamos começar pelo amor.

Entre a pele e a memória

Mara: O tema aqui é o amor em suas formas mais físicas e persistentes — o desejo que não se apaga, a presença que o corpo reconhece mesmo quando a mente tenta esquecer.

Pip: O poema "Entre a pele e a memória" coloca isso com precisão: "Teu nome repousa na curva dos meus desejos como um segredo. Quanto mais tento esquecê-lo, mais se aproxima de mim."

Mara: O nome amado não é só lembrança — é algo que cresce com a resistência. Tentar esquecer é, paradoxalmente, aproximar.

Pip: "Chama despida" leva isso para o corpo em chamas, e "Teu abraço" vai na direção oposta — não o fogo, mas a paz. "Em teus braços, não preciso escolher entre abrigo e fogo. Encontro ambos."

Mara: E "Ardo inteiro" fecha o arco com uma declaração quase teimosa: amar mesmo quando o fogo é só seu.

Pip: Do segredo que não some ao incêndio solitário — é um espectro inteiro. O que fica é o quanto a memória e a ausência andam juntas nesses textos.

O que a memória guarda e o que ela apaga

Mara: Este segmento vive numa tensão: há presenças que o tempo não consegue apagar, e há vazios que nunca foram preenchidos para começar.

Pip: O poema "Nada" corta direto: "No silêncio da memória, restou em mim apenas nada." Cinco linhas. O título já é a resposta.

Mara: E o que torna isso pesado é o contexto que os outros textos constroem ao redor. "Perene" fala de pessoas que habitam um território que nunca pertenceu inteiramente ao sim nem ao não — presenças que continuam ecoando não pela perfeição, mas porque nos obrigam a olhar para dentro.

Pip: Enquanto "Nada" esvazia, "Perene" insiste em permanecer. Os dois poemas são quase opostos no gesto.

Mara: "As conversas que nunca tivemos" vai fundo nisso — a bisavó que viveu noventa e seis anos, e a percepção de que "cada pessoa carrega dentro de si uma biblioteca inteira." A maioria de nós lê só alguns capítulos.

Pip: Há uma crueldade silenciosa nisso. Não por má vontade — por ingenuidade de achar que o depois vai chegar.

Mara: "As vidas que não vivemos" expande a mesma lógica para dentro: o músico que quase existiu, o professor que não fomos. Viktor Frankl aparece ali — "O homem não é apenas o que é, mas também aquilo que poderia ter sido."

Pip: E "Os acolhimentos que nunca recebemos" nomeia a ferida mais difícil de reconhecer — a saudade de algo que nunca chegou a existir. Um elogio. Um pedido de desculpas. A frase que nunca veio.

Mara: "A pessoa por detrás da tempestade" oferece o contraponto mais suave: a voz que ressurge numa ligação, lembrando que algumas presenças nunca desaparecem completamente.

Pip: Do vazio que o vento levou ao céu que por alguns minutos se abre. Agora, o que acontece quando viramos esse olhar para nós mesmos.

O que o espelho devolve

Pip: A questão aqui é sobre reconhecimento — ou a falta dele. Quem é o homem que nos olha de volta, e por que às vezes parece um estranho?

Mara: O poema "O mesmo" é direto: "Encontro o homem do espelho todos os dias. Já soube seu nome. Já soube seus sonhos. Hoje nos observamos com a cautela de dois estranhos tentando descobrir em que momento deixaram de se conhecer."

Pip: Isso é desconfortável de uma forma muito específica. Não é crise — é deriva. A estranheza que chega devagar.

Mara: "O homem do espelho" aprofunda: talvez a demora nas respostas não seja culpa do reflexo, mas da falta de coragem para formular as perguntas certas. O obstáculo é interno.

Pip: E "O que precisa ser" propõe que amar é primeiro tentar entender — que sem diálogo, sem escuta, perdemos caminhos que só a palavra podia mostrar.

Mara: "O Olho de Vidro" desloca o olhar para a câmera — a lente que captura o que o peito esconde, o instante que o corpo entregou. Uma forma diferente de revelar.

Pip: Enquanto "O Ponto de Luz" vai na direção contrária: olhar para fora, para uma janela distante, e lembrar que o mundo é muito maior do que as histórias que conhecemos.

Mara: Identidade construída de dentro e de fora. O espelho e a janela, ao mesmo tempo.


Pip: Amor que persiste, memórias que faltam, espelhos que desconcertam — é um episódio que não resolve muito, mas pergunta bastante.

Mara: Que é exatamente o que a boa poesia faz. Até a próxima.

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Onze anos de blog!

Ontem, o blog completou 11 anos de sua existência. Onze anos! Mais de 1.800 postagens. Milhares de interações com seguidores e experiências compartilhadas. Chega a ser inacreditável!

Curiosamente, esse blog nasceu para falar de política, mas quando eu vi, transbordava amor e sentimentos de todos os tipos em prosa e verso. É um blog que transborda coisas do coração. Transborda o imaterial. Transborda o essencial. Transborda tudo que não tem preço. Transborda tudo tem tem valor.

Muito obrigado a todos vocês por fazerem parte dessa jornada. O Agora Babou permanece, é resiliente, e está mais vivo do que nunca! Sou pura gratidão. ❤️

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Podcast 09: Laços, silêncios e delicadezas

Pip: Agora Babou voltou com poesia que cheira a café, carrega flores sem destino certo e navega em mar aberto — tudo isso ao mesmo tempo.

Mara: Fabio Ottolini assina tudo o que vamos ouvir hoje: textos sobre afeto e cuidado, sobre silêncio e travessia, e um pouquinho de domingo com sol nas janelas. Vamos começar pelo que pulsa mais fundo — o amor que permanece mesmo quando a vida impõe distância.

Afeto, cuidado e presença

Mara: Este segmento gira em torno de uma pergunta simples e difícil: como o afeto sobrevive quando não pode ser entregue pessoalmente?

Pip: O poema "Vó Maria" abre com uma resposta sensorial. O aroma da memória é o texto inteiro, e o verso que o ancora é este: "Hoje o aroma insiste em voltar, como quem sabe onde quero morar."

Mara: A saudade aqui não é melancolia paralisante — é bordado, é construção. O cheiro do café e do bolo de fubá reconduz a um lugar afetivo que nunca fechou.

Pip: "O que as flores sabem" leva essa ideia para outro registro — mais irônico, mais vulnerável. Flores compradas, mãos que tremem, e a oferta de deixá-las com o vizinho ou com Seu Roberto caso a entrega direta não seja possível.

Mara: O poema diz: "Elas falam do que sinto e não do que sentes." É uma distinção honesta — o gesto é do emissor, não uma garantia de reciprocidade.

Pip: "Delicadeza" radicaliza isso com o beija-flor: chega, paira, toca e parte. Sem posse, sem promessa. A flor não tenta prendê-lo.

Mara: E "Lealdade e devoção" traz a distinção mais desenvolvida do conjunto: "A devoção pergunta: quando nos veremos? A lealdade sabe dizer: quando for possível."

Pip: Permanência sem cobrança. É uma definição exigente.

Mara: "E eu já te vi sofrer tanto…" fecha o tema com compaixão direta: a dor do outro encontra passagem no próprio corpo de quem cuida. Cinco textos, uma só pergunta sobre como se ama sem prender.

Pip: Esse cuidado sem posse aparece também quando a linguagem falha — que é exatamente onde vamos agora.

Silêncio, palavra e travessia

Mara: Aqui o tema é o que acontece quando as palavras chegam ao limite — ou quando a pessoa percebe que virou ponte, mas queria ter sido caminho.

Pip: O haiku "Entre" abre com leveza: "Portas abertas, o vento traz teu perfume, tarde vazia." Presença sentida, pessoa ausente.

Mara: "Quando a palavra cai" vai direto ao ponto: "Silêncio não é quando não se fala. É quando a palavra não mais alcança." É uma definição precisa — o silêncio verdadeiro é falha de alcance, não ausência de som.

Pip: E "Mar aberto" traduz isso em exaustão navegada: "Ando cansado de ajustar minhas velas, cansado de reaprender rotas, de chamar de esperança aquilo que tantas vezes foi apenas espera."

Mara: O peso não é a mudança dos ventos — é navegar sozinho. "Quero ser caminho" responde com orgulho e tristeza juntos: ser ponte é nobre, mas a ponte não segue viagem. O que se quer é fazer parte da jornada, não apenas conectar destinos alheios.

Pip: Do mar agitado para algo bem mais leve — um domingo com sol nas janelas.

Domingo canta

Mara: Para fechar, um respiro: "Domingo canta" é um haiku curto e deliberadamente aberto — "O dia abre os braços e a vida dança leve."

Pip: Depois de tanta profundidade, o domingo simplesmente dança. Sem explicação.

Mara: É o contrapeso necessário. Leveza também é uma escolha de linguagem.


Pip: Afeto sem posse, silêncio que não alcança, domingo que dança — tudo isso junto forma um mapa de como se habita o tempo com os outros.

Mara: E na próxima vez, veremos onde esse mapa leva.

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Podcast 06: Amor, Falta e Entrega

Pip: Agora Babou chegou esta semana com poesia que não pede licença — entra, ocupa, e recusa sair.

Mara: Os poemas cobrem território bem definido: a entrega total ao outro, a dor física da ausência, e as feridas que aprendem a se esconder. Vamos começar com o que acontece quando alguém se rende de vez.

Entrega e desejo

Pip: A pergunta que abre este bloco é simples e assustadora: o que acontece quando você para de se defender do amor?

Mara: "Rendição" responde sem hesitar — "há em mim essa entrega crua, exposta — um querer que não se contém, que não pede razão."

Pip: Sem razão, sem recuo, sem volta. A entrega descrita ali não é escolha — é reconhecimento de que a resistência já não faz sentido.

Mara: E o poema vai além: o outro não é abrigo, mas "mundo vasto onde me perco, onde me encontro." Esse é o mesmo território que "Mundo vasto" condensa em três linhas — perder-se para encontrar o nós.

Pip: "Febril" pega essa mesma febre e mostra o lado noturno: o eco que rompe madrugadas sem aviso, o corpo que cede mas a mente permanece desperta. É o mesmo amor, outra temperatura.

Mara: "Domingo, fim de tarde" traz o contraponto mais suave — o cheiro do outro no amanhecer, o beijo sem pressa, o tempo aprendendo a caminhar no ritmo do amor.

Pip: E então "Todos" brinda pelos dias inesquecíveis — inclusive os passados sem a pessoa amada. Memória como forma de posse.

Mara: "Até" fecha o ciclo com a promessa mais longa possível: tudo, até o dia da morte — e o que está no meio são só reticências. O silêncio faz o trabalho.

Pip: Quando o amor é assim absoluto, a ausência não some — ela muda de forma.

Ausência e saudade

Mara: Este bloco pergunta o que resta quando a presença vai embora — e a resposta não é vazio, é ardência.

Pip: "Ausência viva" não deixa dúvida: "tua falta arde pelas frestas da madrugada — meu corpo vigia."

Mara: Vigiar sem objeto. "Calor em suspenso" estende isso para uma cena inteira: o vinho intocado, o frio entrando devagar nos espaços onde havia cheiro e cor, e a pergunta que não se cala — por que precisa esfriar e ainda assim não acontecer?

Pip: "Distante" adiciona a dimensão do tempo perdido: não deu tempo de olhar nos olhos, e coube uma eternidade num único instante. A aquarela cuidadosamente pintada virou quadro borrado.

Mara: Ausência que arde, calor que não chega, distância que não se escolheu. O próximo passo é entender o que essas feridas fazem por dentro.

Feridas e vulnerabilidade

Pip: Há uma pergunta incômoda aqui: e se a superfície calma for exatamente onde a fratura é mais funda?

Mara: "Entre Ruídos" nomeia o mecanismo: "um cuidado que se traveste de zelo, mas que não ajuda — separa." Vozes que não chegam como palavra, chegam como desvio.

Pip: O dano invisível. "Quebrado" aprofunda isso — feridas que aprendem cedo a se esconder na pele aparentemente intacta, e quem aprende a sorrir onde mais arde.

Mara: "Ainda" responde com algo raro: não culpa, mas reconhecimento. Há momentos em que se pesa quando bastava tocar mais leve. E mesmo assim, o que é verdadeiro entre dois permanece intocável.

Pip: Três poemas, uma conclusão: o que não sangrou não está necessariamente inteiro.


Mara: Entrega sem defesa, ausência que arde, feridas que se escondem — o amor aqui nunca é simples.

Pip: Não. É febre, é vertigem, é queda — e ainda assim é onde se descansa. Semana que vem, mais Agora Babou.

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Podcast 05: Amor, Falta e Silêncio

Pip: Agora Babou publicou uma semana inteira de poesia sobre amor que não coube, dor que não pede licença e sol que simplesmente existe — sem perguntar se alguém estava pronto.

Mara: É isso. Vamos percorrer três territórios: o amor que fica mesmo quando a relação vai embora, a cidade e o instante como presenças físicas, e a dor como travessia. Começamos pelo desencontro.

Amor, ausência e desencontro

Pip: O fio que atravessa esses poemas não é o fim do amor — é o amor que persiste depois que o lugar para ele desaparece. A pergunta que eles fazem é: o que se faz com um sentimento que sobrevive ao espaço que o sustentava?

Mara: "Em mim" coloca isso desde o primeiro verso. O poema diz: "Há uma falta em mim que não se explica, e que eu ainda não soube afastar. Vive no gesto mais simples que fica, quando tento seguir, mas volto a lembrar."

Pip: A falta não é ausência da pessoa — é presença da pessoa dentro de quem ficou. Ela não some; ela migra para dentro. E isso muda tudo sobre o que significa seguir em frente.

Mara: "O teu cheiro" leva isso ao concreto: o amor que ficou não é metáfora, é físico — no carro, nas roupas, no colchão. "Quase igual" vai para outro ângulo: o deslocamento lento do que parecia fixo, sem que ninguém nomeie o gesto de partir.

Pip: E "Topografia do Ausente" dá o mapa disso tudo — literalmente. O amor persiste como brasa sob cinza, mas amar sozinho tem peso. Há um momento em que continuar é participar do próprio apagamento.

Mara: "Campo não atingido" nomeia esse limite com precisão: "não é a ausência que apaga alguém, é o transbordamento no lugar que nada contém." E a saída não é ruptura — é retirar o próprio reflexo de um espelho que parou de devolver imagem.

Pip: "Onde não fui dito" fecha o ciclo pelo lado de quem nunca teve lugar à luz. Não era sobre esforço — nunca foi. Era sobre não ser sequer pensado como escolha.

Mara: Os dois haikus condensam tudo isso em silêncio. "Campo não atingido — Haiku": insistir sem caber, e seguir inteiro. "Sem ruído": o amor que não faz barulho, mas também não vai embora. São a margem do que os poemas maiores disseram.

Pip: Do amor que não encontra superfície, passamos para o que simplesmente ocupa o espaço — sem pedir.

Cidade, corpo e instante

Pip: Aqui o registro muda: saímos do interior para o exterior. O sol, a cidade, o instante que respira no meio do silêncio. Presenças que existem sem decidir existir.

Mara: "O Sol" diz exatamente isso: "seu brilho não mede o que vai atingir, nem pesa o espaço que irá tocar; simplesmente existe, sem decidir, e ocupa tudo ao se espalhar."

Pip: Existe sem decidir. Depois de todos aqueles poemas sobre esforço e insistência, isso chega como alívio involuntário.

Mara: "Desvio" é um haiku de um único acontecimento: no meio do silêncio, algo respirou. "Niterói sorri" ancora isso num lugar e num gesto físico — o chopp, a boca, o entardecer. O instante tem endereço.

Pip: Da presença que simplesmente ocupa, chegamos ao que dói — e ao que resiste.

Dor e resistência

Mara: "Ainda assim" não romantiza a dor. Ela descreve o peso antes de qualquer elaboração: "A dor não bate à porta. Ela entra. E ocupa."

Pip: Sem causa clara, sem argumento que alivie. O que resta é atravessar — com o que ainda sobra de si, sem diminuir o que foi sentido.

Mara: E o poema não promete cura — promete que a dor cede. Não porque o sentimento acaba, mas porque algo aprende a suportar. "Ainda assim (2)" comprime isso num haiku: força não é sustentar a aparência. É deixar cair, e ainda assim, existir.

Pip: Dois poemas, uma única afirmação: ainda de pé não significa ileso.


Mara: O que fica dessa semana é uma espécie de cartografia do que persiste — o amor, a dor, a luz — mesmo quando o lugar para eles some.

Pip: Persistir sem superfície. Existir sem decidir. Ainda assim. Até o próximo episódio.

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Podcast 01: Silêncios, Afeto e Travessia

Pip: Agora Babou publica poesia curta — às vezes tão curta que o silêncio entre as palavras pesa mais do que elas.

Mara: É exatamente esse silêncio que organiza o episódio de hoje. Vamos passar pelo que fica invisível, pelo que aproxima, e pelo que acontece quando alguém para no meio do caminho e decide existir nessa pausa. Começamos pelo inventário do que se cala.

Silêncio e Invisibilidade

Mara: O território aqui é o silêncio como transformação — não ausência, mas uma forma nova de estar. A pergunta que esses poemas fazem é: o que acontece com quem aprende a não ser visto?

Pip: “O inventário do silêncio” coloca isso em termos precisos: “Não é o fim da estrada que vejo, mas o fim de um modo de andar.”

Mara: Ou seja, não é ruptura — é mudança de passo. O silêncio não encerra nada; ele recalibra quem caminha. Isso muda o peso da palavra invisibilidade.

Pip: “Conciso” leva essa ideia ao limite: uma voz que parou de explicar o mar a quem teme a água. Cansaço como decisão, não como derrota.

Mara: E “Supondo que…” vira o ângulo: “Se eu for embora, ninguém vai perceber — não sei se isso é uma maldição ou um super poder.” A ambiguidade é o ponto.

Pip: Invisibilidade como armadura. Não é exatamente o que o manual de autoajuda recomenda, mas funciona.

Mara: “Invisível” e “O reflexo” fecham o segmento no registro do haiku — pedra no bolso atravessando a tarde inteira, um copo d’água refletindo o escuro. Imagens pequenas, peso considerável.

Pip: Do silêncio que pesa, passamos ao que chega perto.

Amor e Proximidade

Mara: O tema aqui é a intimidade que existe no gesto comum — o que dois corpos carregam um para o outro sem que ninguém ao redor precise saber.

Pip: “Almas enamoradas” diz diretamente: “Entrelaço minhas mãos nas tuas, no meio da rua, em todo e qualquer lugar — e quem nos vê não sabe que este entrelaçar são nossas almas a namorar.”

Mara: O público não tem acesso ao que realmente acontece. A intimidade sobrevive exatamente por isso.

Pip: “Aproximação” captura o instante antes do toque — “o ar entre nós desperta, quase um toque.” E “Renascer” e “No peito” chegam pelo lado da força: sonhos rasgando o medo, o peito que renasce pela luz.

Mara: Amor como reconstrução, não só como encontro. Essa travessia interna é o que vem a seguir.

Travessia Interior

Pip: O segmento mais denso do episódio trata de quem está entre dois lugares — sem mapa, sem resposta, mas ainda em movimento.

Mara: “Melífluo” nomeia esse estado com cuidado: “nesse intervalo incerto, não saber também é um lugar onde, aos poucos, eu existo.”

Pip: Existir na dúvida como prática. Não resolver, não escapar — habitar o intervalo.

Mara: “Em casa” e “Passo a passo” chegam por caminhos opostos: o caracol que se recolhe na chuva encontra paz num cômodo; o chão irregular se resolve passo a passo, sem mapa algum. Dois modos de atravessar.

Pip: E “Vazias” coloca os dois lados numa mesma mesa — literalmente duas garrafas de vinho: uma para reclamar do que falta, outra para agradecer pelo que há. Ambas terminam vazias.

Mara: A simetria é o ponto. Reclamação e gratidão consomem exatamente a mesma quantidade de você.

Pip: “Batismo” limpa o rastro do medo e sai andando soberano. “Gravidade” é mais oblíquo — Marte aceso sob a luz fria da lua. E “Artemisia absinthium” fecha com o conselho mais direto do episódio.

Mara: “Preciso confiar mais no meu instinto: menos amor, mais absinto.” Instinto como bússola, mesmo que a rota seja discutível.


Pip: Silêncio, proximidade, travessia — tudo aqui mora no intervalo entre o que se sente e o que se diz.

Mara: E esses poemas insistem que o intervalo não é vazio. É onde algo acontece. Até o próximo episódio.

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Seis anos do blog! :)

O blog nasceu para falar de política, mas que acabou virando uma colcha de retalhos: poesias, contos, crônicas, músicas… Um pouco de tudo, sempre de peito aberto e com muito amor no coração. Tudo visceral. Tudo de verdade.

Meu MUITO OBRIGADO a todos que me leem e a que interagem comigo de alguma forma. Que Deus abençoe as suas vidas e a vida das pessoas que vocês amam. Saúde!

Um grande beijo! ❤

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Prêmio Dardos

premio-dardos

Recebi, no dia 13/08/2016, a indicação do Lucas Palhão, do Blog do Palhão, que coincidentemente foi o primeiro blog que comecei a seguir. Honra dobrada, portanto.

Anteriormente, eu fui indicado pela blog da Bruna Contarine, pelo Bia Perez do blog O Terceiro Ato, e pela blog bell@espíritu, sendo este último um blog em espanhol.

MUITO OBRIGADO PELAS INDICAÇÕES!

Confesso que nunca levei muito a sério esta questão do prêmio, por não entender o poder da comunidade dos bloggers, e do quanto é importante esse compartilhamento de idéias, indicações, etc. Enfim… Vivendo e aprendendo. 🙂

O que é o Prêmio Dardos?

“O Prêmio Dardos é uma espécie de selo virtual criado em 2008 pelo escritor Alberto Zambade, autor do blog Leyendas de “El Pequeño Dardo” El Sentido de las Palabras. Ele selecionou e indicou o selo a quinze blogs que ele considerou merecedores do prêmio, os quais também indicaram outros 15 e assim sucessivamente, criando uma imensa corrente na internet.”

Os critérios são:

Indicar 15 blogs que achem interessantes e que entrem no quesito de informação e criatividade

Mencionar o blog que te indicou ao prêmio Dardos.

Avisar aos blogs escolhidos ao prêmio.

Meus escolhidos são:

  1. ASPALAVRASQUENUNCATEDIREI
  2. Casuísmo
  3. Fênix Verde
  4. Santas e Loucas
  5. Devaneios da Lua
  6. JkMONDE
  7. Devaneadora de Idéias
  8. Poesia da Loba
  9. Desaba Devaneios
  10. by:CarolCampos
  11. PALAVRASOLTABLOG
  12. Rancho Peregrino
  13. ideianutri
  14. Pro Seu Dia Ficar Melhor
  15. A Parte e o Todo de Mim

Eu gostaria de indicar mais que 15 blogs, mas são as regras do prêmio. :/

MUITO OBRIGADO POR TODO SEU APOIO!

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Sejam TODOS bem-vindos!

Sejam bem-vindos! Tudo que é escrito por aqui é de minha autoria, e caso não seja, os devidos créditos serão dados aos respectivos autores. De forma análoga, peço que o devido crédito seja dado a qualquer texto de minha autoria retirado deste blog.

Antes de mais nada, é bom deixar claro que este blog é politicamente incorreto. Essa é a sua natureza mais fundamental. Ele não tem partido, não tem ideologia, e nem nada parecido. Meu único objetivo é fazer com que as pessoas pensem. Não faço a menor questão de que concordem comigo – que isso também fique claro, e comentários de qualquer natureza serão bem recebidos. Desde que não sejam ameaças de morte e coisas do tipo, claro.

Por enquanto é só. Que o #agorababou se propague por aí!