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A morte do poeta

O poeta morre um pouco

Quando dele se vai a ingenuidade,

Quando dele se vai a esperança,

Quando dele se vai a confiança,

Quando dele se vai credulidade.

Mas o poeta morre para renascer,

Porque a essência do poeta é o recomeço.

Diante dos cacos, das cinzas, da brutalidade,

O poeta morre e renasce sem medo,

Escrevendo novas histórias,

Ressignificando antigas histórias,

Rindo e chorando

De derrotas e vitórias,

Porque o que mata de fato o poeta

É não poder tentar

Pelo menos mais uma vez.

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Cegueira

Percebo brutalidade em alguns que me olham

Que veem um eu que não se parece comigo

Um eu que não é meu e só existe em olhos alheios

Cegos pelas projeções que consomem suas próprias vidas.

Se de fato me vissem, penso eu

Se se dessem a chance de me ver

Veriam que o meu eu que de fato sou eu respeitosamente se cala

Diante da cegueira brutal que consome suas próprias vidas.