Não sei se era uma ilusão,
Mas aquele abraço me trazia verdades.
E é verdade que sinto falta daquele abraço,
Que talvez de uma ilusão não passasse.

As pessoas tendem a valorizar o difícil, o improvável, o inatingível. Muitos, inclusive, se apaixonam por esta busca frenética e chamam isso de amor.
Não. O amor não é e nem precisa de nada disso. O amor chega fácil. É claro, objetivo e direto. É óbvio. Não precisa ser convencido. O amor não joga. É leal. É fiel. É recíproco. É respeitoso, íntegro e integral. É correspondido. É leve. Eleva. Faz crescer. E, sobretudo, o amor nunca se coloca ou permite ser colocado em uma posição na qual possa se perder ou mesmo deixar de existir.
Nem por isso dispensa manutenção, claro. Amor é dia a dia. Amor é cotidiano. Amor é no detalhe e no todo. Amor é jornada. Amor é estrada. Amor é pé no chão.
Se for muito complicado, não é amor. É alguma outra coisa que você resolveu chamar de amor para preencher algum vazio. E se você não estiver inteiro, vai chamar qualquer porcaria ou migalha de amor e vai sofrer horrores por conta disso.
É ou não é amor? Só você é capaz de responder essa pergunta.

Quando eu era criança
Eu tinha medo de dizer as coisas
E agora que não tenho mais medo
Não há ouvidos para ouvi-las
Ninguém me ouve
Gritar não adianta
Ninguém me ouve
Ninguém
Talvez virar adulto seja isso
Ou talvez o mundo seja
Bem pior do que pode
Imaginar uma criança
Ninguém me ouve
Ninguém
Fui criança
Fui esperança
Ninguém me ouve
Ninguém
A solidão acompanhada
É a mais dura pena
Que pode ser imposta
A um ser humano
Quando ninguém me ouve
Eu me torno ninguém
Nem eu me ouço
Ninguém.
