Avatar de Desconhecido

O Olho de Vidro

O foco manual desliza lento,
ajusta a linha, prende o momento.
O clique mecânico corta o ar,
faz o instante se eternizar.

Olhar que revela o que o peito esconde,
na luz direta onde o corpo responde.
A lente captura o foco e o desejo,
a lingerie escorre a cada lampejo.

Filme de prata, grão e calor,
gotas que vertem do próprio amor.
O enquadramento prende a pele e a renda,
um jogo eterno que se desvenda.

A câmera guarda o que a mente criou:
o instante exato que o corpo entregou.