Talvez eu ainda não saiba
atravessar tudo isso
como poderia.
Há momentos em que peso
quando bastava
tocar mais leve.
E, se é assim,
eu sinto muito.
Não como culpa,
mas como quem percebe
que a dor também desvia
o gesto
e silencia.
Mesmo assim,
há algo em mim
que não se move.
Eu te quero
com verdade.
Estou contigo,
inteiro no que sou,
o que não significa
que eu não possa ser mais.
Há algo entre nós
que não se divide,
não se explica,
não se oferece ao mundo.
A verdade,
essa que não precisa ser dita:
é nossa.
E de mais ninguém.
E, por isso,
não há espaço
para o que vem de fora,
nem para o que tenta ocupar
o que nunca foi seu lugar.
Há o que é nosso.
E isso
permanece
intocável.
