Longe das palavras, Longe das poesias, Senti na minha boca O cheiro Que somente a ti Pertencia.
Não me dei conta Naquele momento, Naquele lugar, Que as águas Que eu estava A navegar Eram de fato De outra fantasia.
Até que ela me perguntou Se dela eu no futuro Me lembraria, E foi aí que me lembrei De que para ti Também disse Que não me esqueceria.
E na inocente sinceridade Que a ti eu devia Calei a sua boca Como pude Sem qualquer pudor, Inibição, Ou hipocrisia.
Talvez eu a ela Ainda responda Não hoje – Defintivamente não hoje – Posto que o seu mel Da minha boca Ainda escorria Quando fui-me embora Prometendo voltar Amanhã Ou qualquer outro dia.
Entre o esquecer E o lembrar, Minha boca Permaneceu calada, Mas chocou-me Não ser mais teu O cheiro que Inebriava minha alma E somente de ti Verdadeiramente resplandecia.
Não escrevo para ler E lembrar no futuro Escrevo para esquecer Do agora No agora
Cada gota de tinta Cada rima Cada verso Cada estrofe Fazem-me esquecer
Tudo é desabafo Descarrego
Coisas que quis dizer E não pude Coisas que tentei entender E não consegui Coisas minhas – Só minhas – Palavras sobre mim Palavras por mim
E no futuro Ao reler o que escrevi Tudo parecerá estranho – Porque de mim Serei um estranho – Perdido Nas minhas próprias memórias Duvidando do meu passado Por tê-lo documentado E ainda assim Não mais o sentir.