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Um brinde!!!

Me perdoes por não olhar-te
Como se fosses o prato do dia.

A minha fome não é de comida:
Eu preciso alimentar meu coração
Dar de comer a minha alma
E nada disso se dá
Em uma só refeição.

Somos incompatíveis
Não porque nos falte afinidade –
Que mais do que há, diga-se de passagem –
Mas porque o que tens para me oferecer
É justamente o que não preciso
E o que tenho para te oferecer
Soa-te como completa falta de juízo.

Não é uma crítica –
Que fique claro –
São duas almas buscando um caminho
Que vamos seguir como se entre nós
Nada tivesse acontecido
Até – quem sabe? – tudo acontecer de novo
E de novo, e de novo, e de novo, e de novo…

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Boa mesa

Tínhamos essa mania louca
De olhar um para o outro
Em lados opostos da mesa
E nos confundir com comida

Poderíamos até culpar o vinho
Mas tornou-se um hábito
Ver a mesa posta
As vontades expostas
E a comida quase intocada, fria

A fome?
Saciada, todavia.

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Auxílio Emergencial – COVID-19

Auxílio Emergencial. O nome já diz tudo. É para quem ficou sem renda durante a pandemia. Para quem não sabe e nem sequer tem o que fazer. Para quem não tem dinheiro para comprar remédios, comida. Para quem vê a geladeira vazia, as contas chegando, os filhos chorando… Para quem o futuro parece uma agonia.

Causa-me espanto culparem o sistema por conceder benefícios para quem não precisa, muitas vezes até para pessoas empregadas. Causa-me náusea. Causa-me revolta. Desde quando falhas no sistema podem ser responsabilizadas pela desonestidade, pela falta de valores das pessoas? Desde quando falhas no sistema podem ser responsabilizadas pela essência, pelos desvios de caráter, pelo que as pessoas são?

Que Deus tenha piedade dessas pobres almas que não apertam gatilhos de arma alguma, mas que são incapazes de ter compaixão e empatia pelo seu semelhante. Ao usufruirem do auxílio emergencial sem dele de fato precisar, sangue jorra de suas mãos, ainda que essas pessoas se sintam absolvidas pelas suas próprias hipocrisias.

O problema do Brasil são os brasileiros e não tem sistema que conserte isso.

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Comida

Gosto

Cheiro

Calor

Tempero

Caldo

Picante

O que sou?

Comida

Sim…

Servida

E bem comida.

boca

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Eu vi vendo

Já não sinto fome ou sede

O que eu sinto me preenche

Totalmente

Sou só saudade.

a-saudade-e-a-nossa-alma-dizendo-para-onde-ela

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Meus cachorros

– Pode encher, por favor… Do que estávamos falando mesmo?

Eu não queria falar ou ouvir mais nada. A bebida era a desculpa. Não queria ficar bêbado. Queria parecer bêbado. Era uma conversa para ser esquecida de tantas vezes que já havia se repetido.

Nada daquilo fazia sentido. A fumaça do cigarro da mesa ao lado me sufocava. O barulho dos carros ao longe. A cerveja nacional cheia de milho. Eu precisava de algum tipo de teletransporte. Precisava sumir.

– Você sempre sai pela tangente quando o assunto não agrada…

– Não é verdade e você sabe disso. Eu só estou de saco cheio de conversar sobre o mesmo assunto todas as vezes. Não dá, entende? Não dá! EU ESTOU DE SACO CHEIO!

O pessoal da mesa ao lado olhou em minha direção. Eles fumando e eu falando alto. Estávamos empatados.

– Quer saber? Vou embora. Lá em casa não tem fumaça, não tem barulho, e a cerveja é de melhor qualidade. Vai ficar?

Levantei-me e fui embora. Poucos metros adiante, pisei em um cocô de cachorro. Merda… Eu não aguento mais essa conversa sobre ter que comprar um cachorro. Cachorro é para quem tem casa! Não consigo imaginar um cachorro em um apartamento.

Na frente do meu prédio, três vira-latas dormindo. Qual a história desses carinhas, hein? Vivem como? Nasceram onde? Já tiveram casa? Estariam com fome ou com sede? Frio?

Puta que pariu… Peguei uma vasilha daquelas de sorvete com água e outra com ração. Por que eu tenho ração em casa? Minha filha me ensinou que já temos vários cachorros. Eles moram nas ruas. Para que eu preciso comprar um?

cachorro vira lata 1

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Nesfit

Queira me desculpar

Mas que perfume você usa?

É que ele fica na minha blusa

Quando eu saio da academia

 

Eu nunca tinha reparado

Mas hoje não deu para ignorar

Quando prendeu seus cabelos

Tal perfume invadiu o ar

 

Sim, combina com você

Flutuando quando anda

E apesar de pouco do assunto entender

Sei que não se trata de simples lavanda

 

Não se incomode comigo

Sou bastante respeitoso

Mas é inegável que se trata

De algo deveras delicioso

 

Sim, falo do perfume

De você eu mal sei

Prazer, meu nome é Fábio

Hum… O seu agora eu sei

 

Aceita um Nesfit?

Compartilho com prazer

Para quem está com fome

Qualquer comida se transforma em algo gourmet.

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Cova rasa vermelha

Ao fundo ouço os gritos

São de falta de esperança

Sei que não são de dor ou fome

Eles não saberiam gritar por isso

Nunca deixaram de sentir dor

Nunca deixaram de sentir fome

Não conhecem o oposto disso

 

E na carência ou ausência de tudo

Eis que surge este deus imundo

Que lhes faz promessas sem dó

Esse ser infernal

Que coaduna todo o mal

Não é nem de longe Lúcifer

Mas se acha mais que o tal

 

De vermelho, acena destemido

Sabe que depende do sangue

De quem jura defender

Mas em seguida os fazer morrer

Pois são mero mal necessário

 

E no meio dessa lambança

Onde está de fato Deus?

Leva para longe essa praga

Que assola os filhos teus!

 

E Deus, em seu tempo, responde…

 

Em vermelho, agonizará pela eternidade

E nem mesmo no inferno

Terá a sua imortalidade

Pois nem Lúcifer o quer por lá

 

Será no meio dos que gritam

Em praça pública, nas ruas

Diante dos mesmos que quis

Sempre quis

Enganar

 

Será lembrado para sempre

Pelos que contra ele lutaram

Como adversário covarde

Puto, imbecil, salafrário

Sindicado será por Nosso Senhor

Que não quer cargos ou salários!

 

Quero ver a tal coragem

Quando do fundo da sua alma

For extirpado seu orgulho

E seu nome, feito entulho

For depositado em uma

Cova rasa.

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