Avatar de Desconhecido

O céu não me escolheu

O que faço com todo o meu desejo,
se ele cresce em mim como chama teimosa,
e o que eu quero, tão vivo e tão inteiro,
não me quer de volta, não me vê, não me nota?

O que faço com essa fome de encontro,
se o encontro é só miragem no deserto,
e cada passo que dou em sua direção
me deixa mais longe do que eu quero perto?

Talvez desejo seja isso:
um pássaro que insiste em voar
mesmo sabendo que o céu que escolheu
não o escolheu para amar.

E eu, que ardo, fico aqui,
entre o impulso e o silêncio,
tentando descobrir se é possível
despedir-se de um desejo
sem se despedir de si mesmo.