Vejo seus rostos –
De todos eles –
Tais como se fossem rostos
Que eu conhecesse.
Mas o meu rosto –
Que eu bem conheço –
Não está entre eles,
Porque o meu rosto
É só mais um rosto
Que só aparece
Quando não há outro rosto
Para aparecer.

Vejo seus rostos –
De todos eles –
Tais como se fossem rostos
Que eu conhecesse.
Mas o meu rosto –
Que eu bem conheço –
Não está entre eles,
Porque o meu rosto
É só mais um rosto
Que só aparece
Quando não há outro rosto
Para aparecer.

Há um poema
Entre tuas pernas
Que foi escrito
Com minha língua
Há um poema
Em tua face
Que foi escrito
Com tua caligrafia
Há partes que não cabem
Há partes que não entram
Cheiros e gostos rimados
Por fora e por dentro
Nestes saraus devassos
Nossa história escrevemos
Lirismo que não se cala
Que ou grita ou está gemendo.

Ando pelas ruas procurando o teu rosto
Tentando sentir o teu perfume
Talvez ouvir a tua voz
Quem sabe?
Eu sei
Não estás aqui
Não sei onde estás
Mas isso não encerra minhas buscas
Em outros rostos
Em outros perfumes
Em outras vozes
Eu me afundo
E te esqueço
Por não mais que alguns segundos
E depois, sinto-me traído
Nem um pouco embevecido
Não houve amor ou prazer
Não houve o que me faz te querer
E sigo nesse rotina fatigante
Quem sabe, um dia…
Na esquina da minha teimosia
Eu te encontre?
Ou quem sabe um dia
Quando formos apenas almas
Cercados por anjos a baterem palmas
Possamos nos reencontrar e viver
Curados dessa sentimental afasia.
