O vento esculpe a crista da maré,
desenha formas que o sal logo desfaz.
A garça fita o que o tempo quer,
no mergulho exato de um instante em paz.
Não há ontem na curva do horizonte,
nem promessas no vôo do gavião.
A vida é o jorro que brota da fonte,
sem pedir licença ou explicação.
O mundo gira em sua luz de cobre,
alheio ao passo de quem o quer medir.
A beleza é livre, o olhar é nobre,
no simples mistério de apenas existir.
