Eu quero fazer a diferença na tua vida, Mas não quero te mudar.
Quero ser o confidente, O amor, amante, o amigo, A válvula de escape diante do desastre iminente.
Quero que saibas que vou lavar a louça, Fazer compras, fazer faxina e cozinhar, Lavar roupa e passar, Porque por nós posso fazer Tudo que for necessário.
Vou trabalhar e trabalhar muito E ainda que o dinheiro não seja muito, Entrega e amor nunca irão faltar.
Quero andar de mãos dadas contigo Nas infindáveis caminhadas da vida, Onde o caminho tem mais importância que o destino.
Quero que tenhas orgulho de mim, Do homem que invariavelmente sou E da mulher que invariavelmente és quando estás comigo.
Mas de tudo que eu quero, Nada é mais forte do que o te querer E nesse querer eu realmente me defino: Te querer é o que eu sou.
E quero que sejamos bem assim normais, Casuais e sofisticadamente simples, E que nosso amor seja simplesmente A coisa mais importante que existe.
Não lembro do último toque, Nem das últimas palavras, E nem mesmo das datas. Só lembro das semanas acinzentadas Que surgiram E do coração em carne viva Querendo sair pela boca.
Eu pensei muito no que dizer, No que confessar E no que esconder. Eu pensei muito E não cheguei à conclusão alguma.
Emudeci.
E hoje mesmo pensei no que diria Se te visse pela rua, Se nossos olhares se cruzassem E nossas almas se flagrassem nuas, E uma única palavra eu pudesse dizer:
Fica.
E essa palavra diria por mim Absolutamente tudo.
Rear view of lonely man looking with hope at horizon with sunlight during sunset with effect of light at the end of tunnel
Os copos e os pratos ficaram sobre a mesa, porque voltaríamos para terminar o jantar. Nunca mais voltamos.
A comida, agora fria e fedorenta, terá como destino o lixo. Um desperdício diante da fome do mundo, da nossa fome em particular.
Os finais são sempre tristes. Final feliz talvez seja só a morte, porque este acaba de uma vez com toda e qualquer possibilidade de se conviver com outros finais tristes.
Mas ainda assim a morte é um final triste, porque mesmo a vida mais triste de todas, está permeada de momentos que são felizes. Incríveis. Inesquecíveis.
E talvez o amor seja justamente o espaço entre um final triste e outro. O lugar onde a comida ainda está quente e o vinho ainda não virou vinagre. Tudo no ponto e na temperatura certa. Mesa posta e exposta.
E hoje, quando lembro do nosso final triste, lembro dos momentos de amor que foram felizes. Não foram poucos. Eles eram e existem, e insistem em fazer graça, em me fazer sorrir, ainda que seja um sorriso triste.
E vou seguindo em frente, sendo feliz aqui e ali, torcendo para nunca mais ter que viver um final triste, muito embora eu saiba que essa é uma possibilidade que não existe.
Eu sei que atrás deste universo de aparências, Das diferenças todas, A esperança é preservada.
Nas xícaras sujas de ontem O café de cada manhã é servido. Mas existe uma palavra que não suporto ouvir, E dela não me conformo.
Eu acredito em tudo, Mas eu quero você agora.
Eu te amo pelas tuas faltas, Pelo teu corpo marcado, Pelas tuas cicatrizes, Pelas tuas loucuras todas, minha vida.
Eu amo as tuas mãos, Mesmo que por causa delas Eu não saiba o que fazer das minhas.
Amo teu jogo triste.
As tuas roupas sujas é aqui em casa que eu lavo.
Eu amo a tua alegria.
Mesmo fora de si, Eu te amo pela tua essência. Até pelo que você poderia ter sido, Se a maré das circunstâncias Não tivesse te banhado Nas águas do equívoco.
Eu te amo nas horas infernais E na vida sem tempo, quando, Sozinha, bordo mais uma toalha De fim de semana.
Eu te amo pelas crianças e futuras rugas.
Eu te amo pelas tuas ilusões perdidas E pelos teus sonhos inúteis.
Amo teu sistema de vida e morte.
Eu te amo pelo que se repete E que nunca é igual.
Eu te amo pelas tuas entradas, Saídas e bandeiras.
Eu te amo desde os teus pés Até o que te escapa.
Eu te amo de alma para alma. E mais que as palavras, Ainda que seja através delas Que eu me defenda, Quando digo que te amo Mais que o silêncio dos momentos difíceis, Quando o próprio amor Vacila.
Antonio Bivar Extraído do Programa de Espetáculo do Drama – Luz da Noite – 1973
Eu até me via Do teu lado no altar Agradecendo a Deus por tudo Indo de encontro ao mundo Sem precisar sair do lugar
E os meus versos repetidos Repeti-los-ia todos os dias Porque não eram só versos Eram orações e preces Agradecimentos e euforias
Havia verdade nos fartos goles Paixão nas inesquecíveis garfadas Desejos confessos com os olhos Declarações em todos os gestos Afagos entre almas apaixonadas
E nas areias vida afora Nas pegadas que deixamos no céu Conversas que transbordam a memória Muitas, todas inesquecíveis histórias De um amor que foi tudo, menos vão.