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Cachorra

Se não for para morder,
Não rosne.
Mas se for para morder,
Também não rosne.

Não quero seus avisos;
Quero seus ataques.

E sim…
Quero que seja uma cachorra!

CACHORRA!

Venha balançando o rabo,
Salivando,
Doida para me lamber,
Doida para receber meus carinhos,
Doida para se esfregar em mim.

Vou aproveitar e te ensinar alguns truques,
Com direito a petiscos no final.

E depois de todo alvoroço,
Que você se deite –
Colada em mim –
E fique.

Obedeça-me!

Simplesmente fique.

E que fique claro:
Não ligo para pedigree.

Mas se for para ser minha cachorra,
Que seja só minha cachorra,
Posto que só quero uma cachorra
Para muito bem amar e cuidar
Até o fim.

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É teu

Gosto do jeito que me olhas:
Tu me vês melhor do que sou
Mais do que sou

Vês-me no futuro do presente
Em campos verdejantes
Em melhores e mais fartos dias

Gosto do jeito que me ouves:
Tu afagas minha cabeça
Enquanto digo em silêncio

Respeitas minhas dores
Meu passado, minhas flores
Meus cabelos acaricias

Gosto do jeito que me cheiras:
Pressentes e sentes
Os meus apelos e arrepios

Perfumas minha alma
Nos recantos do teu leito
Verdades me propicias

Gosto do jeito que me provas:
Tua língua em meu corpo
Meu corpo em tuas mãos

Sabores que eu desconhecia
Ofereces-me sem pudores
De todas as formas me sacias

Gosto de como me tocas:
Feito agora, sem demoras
Noite adentro, sem alento

Tocas fogo em minha pausas
Revigoras minhas entranhas
E fazes jorrar minhas fantasias

Mas acima acima de tudo
Gosto da tua capacidade
De dar sentido
Aos meus sentidos
Sinto-me amado
Sinto-me querido
Sinto-te
E o que eu sinto
É teu.

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Deixei, eu sei

Onde não pude ficar

Deixei saudade

Melhor que nada

Melhor não avisar nada:

Ela é uma PÉSSIMA companhia.

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Tequila (2)

Talvez a felicidade seja algo tão simples
Quanto poder dormir com a consciência tranquila
(depois de alguns shots de tequila)

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Sem palavras

Você me conquistou no dia em que eu precisei ir
E sem palavras você me disse: “eu te espero”

Acabei por voltar de onde nem era o meu lugar
E sem palavras você me disse: “eu te quero”

E por fim, trocamos olhares tomando vinho no chão da sala
E sem palavras você me disse: “eu te amo”

Estou até agora sem palavras
E eu não sou de ficar sem palavras

Mas mesmo que eu tivesse todas as palavras
Meu coração resiste e ao mesmo tempo insiste
Para que eu lhe diga sem palavras: “eu também”.

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Travesseiro

Na tentativa de abafar
Com um travesseiro
Os gritos e gemidos
Que jorravam de sua boca
Em meio a todos aqueles aguaceiros
Acabou por se entregar
Ainda mais
Muito, muito mais
E fez rugir e estrondar
A cama, o quarto
E nossos corpos inteiros.

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Puna-me!

Silêncio…

Só consigo sentir os teus gemidos
Tuas coxas selaram meus ouvidos

Falar eu não consigo
E ainda assim com fúria te bendigo

Por que fazes isso comigo?

Teu ventre é um perigo
Mereço de fato este castigo?

Mereço
E pior do que isso:
Quero sempre mais

Punas-me!

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Labaredas

As labaredas que lambem os corpos

E que incendeiam os lençóis

Só fazem sentido

Quando as centelhas

São paridas pelo coração.

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Foge não!

Vem cá…
Senta aqui…
Não fuja mais de mim!

Estou pronto!

Me conta tudo que eu nunca quis ouvir
Me deixa te sentir por completo
Em todas as partes do meu corpo
Em todas as minhas células
Pulsando pelas minhas veias
Não tenha dó de mim!

Cansei de te evitar
Cansei!

Vem cá, verdade…
De verdade:
Foge não!

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Urgências

De todas as urgências que tenho

Nenhuma é maior do que me ter

Porque eu não me caibo

Eu sou maior do que eu mesmo sei ser.