De vez em quando
Você se toca
E volta correndo –
Sôfrega –
Para a sua toca
É tocante ver você se tocando.

De vez em quando
Você se toca
E volta correndo –
Sôfrega –
Para a sua toca
É tocante ver você se tocando.

Eu tenho sonhos imensos
Desejos que nunca acabam
Vontades que nunca passam
A todo e qualquer momento
Se eu invento?
Não preciso e nem tento
A culpa é toda tua
Que o tempo todo desfilas nua
Na lascívia inexorável do meu pensamento
És da minha alma alimento
E eu te devoro
A todo e qualquer momento.
A Michele adora me fazer essas surpresas e eu adoro as surpresas que ela me faz. Ela escolha a poesia e a declama quando quer. O resultado é sempre surpreendente. Obrigado pelo carinho, Michele!!! ❤ ❤ ❤
Poesia original: https://agorababou.com/2019/09/15/imperfeicao/
Despi-me do sonho
Vesti-me da verdade:
No que é invisível aos olhos
Teu gosto
Teu rosto
Os excessos do meu corpo
Corredeiras que jorrro –
Que pedes
E que encaras –
Morro
Esfrego
Puro gozo
E nos teus olhos
Acidentados de alma sanitária
Realizo-me
E nem disfarço.
Já te vi de todos os ângulos –
E foi com a língua.
É procurar no amor alguma certeza ou razão
É amar com um pé atrás
É amar com os pés no chão
É viver de aparências
É aparentar ser
É nunca ser nem causa e nem consequência
É prender o cabelo quando bate o vento
É não sair de casa porque acabou o filtro solar
É fazer cálculos a todo momento
É abraçar sem encostar o peito
É beijar sem usar a língua
É tentar fazer amor e não sentir qualquer efeito
É o poema vazio e plasticamente correto
É virar a cara para a “cara metade”
É achar erro no que está certo
É o quase, o quem sabe e o talvez
É viver a vida em marcha lenta
É querer entender todos os porquês
É matar o desejo e o sonho
É viver o tempo todo sorrindo
Com o coração sempre tristonho
Mas
Acima de tudo
A mediocridade é uma escolha:
É como ter em mãos uma preciosa garrafa de vinho
E nunca sacar a sua rolha.
![Shot018[5]](https://agorababou.com.br/wp-content/uploads/2019/04/shot0185.jpg)
Nunca seremos nada até aceitarmos que o que há de mais visceral em nós, que nos clama por aceitação e justiça, nosso verdadeiro propósito de vida. Podemos até nos enganar, mas para sempre teremos que viver com nosso eu de mentiras e aparências. Para sempre teremos que viver adormecidos. Dormindo para a vida. Acordados para o que não somos.

Pelo amor
Esperarei, impreterivelmente, até amanhã
(E sigo repetindo essa frase todos os dias)

Se soube ir
É preciso com que
Com as mesmas pernas –
Ou asas –
Saiba voltar.

Procuro um ponto
Um momento no horizonte
Onde as minhas chatices
Sejam vistas como bem menores
Do que tudo de bom que sei oferecer
Onde as palavras de amor que eu disse
Reverberem nas centenas de poemas de amor
Que eu já tantas vezes escrevi
Onde minhas atitudes coadunem minhas palavras
E que sejam inventadas todas as palavras
Necessárias para explicar o que só sei viver e sou
Onde a minha insistência e paciência
Sejam vistas e acolhidas como saudade
Com a vontade de estar, de acolher, de aceitar, de querer
Onde o meu esforço, as minhas lutas
Sejam sinais de que quero ser melhor
E não de que eu ainda não sou bom
Onde os meus passos em falso
Sejam vistos como tentativas de acertos
Por mim e por tudo ao meu redor
Onde a minha bondade não seja questionável
Ou vista como permissividade
Mas como lealdade eterna e puro querer
Onde a minha fiel sinceridade
Seja vista como motivo de encanto
Posto que nada é maior do que o amor que carrego em mim
Onde as minhas noites de sono
Antecedam dias de lindas surpresas
De paz, de virtude, de reciprocidade, de empatia
Onde minhas preces façam sentido
Para que meu corpo todo seja ouvidos
Para as palavras de Deus
Procuro um ponto
Um momento no horizonte
Onde o amor que transborda de mim
Desague no peito
De quem quer tudo que eu já sou
E de tudo que ainda há de ser melhor em mim.
Eu sou só um ser humano
Tentando ser melhor todos os dias
Eu sou só um ser humano
Que mesmo imperfeito –
E deveras verdadeiro –
É feito do mais puro amor e alegria.
Hoje, já sou melhor que ontem
Já sou melhor do que quando comecei
A sentir e escrever essa imperfeita –
E deveras verdadeira –
Poesia.
