Todos os dias ao acordar Travo comigo diálogos intensos: O que se tornou o que seria? O que se tornou o que calhou de não ser?
E fito o céu e fito o mar Na esperança de encontrar Nos tons de azul e cinza Nas nossas cinzas espargidas Algo que o fogo do tempo Inclemente Não tenha lambido Não tenha transformado em pó.
E reconto nossas histórias Nossos dias de incólume glória Para uma plateia de Deus comigo Na esperança de que Ele Da vida o grande diretor Mude o final do nosso filme.
Eu já não deveria mais Pensar em dizer que te amo E por mais que tudo seja profano Eu te amo, eu te amo, eu te amo!
Pode ser que eu esteja condenado Mesmo sendo inculpado A ter que conviver para sempre Com esse lancinante dessabor Com esse inclemente ardor De sentir ainda o calor da tua pele E do teu retumbante coração Que marca os passos do meu.
Mas se for esse o preço – O preço do que não tem preço – Ainda assim eu teria escolhido viver Milímetro por milímetro Toque por toque Do que foi e do que restou Do que para mim nunca acabou.