Pode apagar a minha fotografia,
Mas eu estou dentro e entro em você
Dia após dia,
Nesta saudade que não silencia.

Pode apagar a minha fotografia,
Mas eu estou dentro e entro em você
Dia após dia,
Nesta saudade que não silencia.

Sentar ao meu lado
Que eu saiba
Nunca foi pecado
Para falar de poesia
De fotografia
Da vida
Do dia-a-dia
Ou para ficarmos calados
Nunca nos faltou assunto
Nunca
E mesmo assim esse silêncio
Essa distância
Essa falta de abundância
Do básico
Algo quase afásico
Algo que não é nosso
Essa coisa, esse troço
Nunca foi assim
Ainda me flagro
Conversando com seu cheiro
Com seu toque
E acredite…
Quando me toca
Ainda sinto aquele choque
É como se fosse ontem…
É como se fosse…
É como se não tivesse fim
E nada há de apagar
O que foi sentido
O que foi falado
O que foi ouvido
O que foi feito e desfeito
Com a sensação platônica
Do mais que perfeito
Não é pretério
Ou finada
A falta que trago em meu peito
Como se fosse ontem…
Como se fosse…
E se fosse, seria
Mais do que já é
Mais do que sempre
Renascida
Sobrevivida
A cada sol poente.

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