Invade-me teu silêncio
Talvez ele me diga alguma coisa
…
…
Nada
Talvez eu esteja surdo
Talvez tu estejas muda
Não precisas me explicar
Metamorfoseio-me
Oiças-me mudo
Eu mudo
E vôo
Pro mundo.

Invade-me teu silêncio
Talvez ele me diga alguma coisa
…
…
Nada
Talvez eu esteja surdo
Talvez tu estejas muda
Não precisas me explicar
Metamorfoseio-me
Oiças-me mudo
Eu mudo
E vôo
Pro mundo.

Lembro-me com saudades
De todos que dessa vida sumiram
Eu sempre os carrego
Dentro de mim
Não são fantasmas –
Estão vivos! –
E de dentro deste mundo
Chamado dentro de mim
Jamais partiram
Jamais se despediram
Jamais disseram adeus
Vez por outra me recolho
E mesmo que as lágrimas corram soltas
Eu os vejo vivos e sorrindo
Provando que a morte do corpo
Não é de fato o fim
E é por isso que eu quero
Viver também dentro dos mundos
Que existem dentro dos outros
Pois enquanto houver lembranças
Que sejam de mim
Eu estarei vivo
Dentro de vários mundos
Sim.

Quando eu era criança
Eu tinha medo de dizer as coisas
E agora que não tenho mais medo
Não há ouvidos para ouvi-las
Ninguém me ouve
Gritar não adianta
Ninguém me ouve
Ninguém
Talvez virar adulto seja isso
Ou talvez o mundo seja
Bem pior do que pode
Imaginar uma criança
Ninguém me ouve
Ninguém
Fui criança
Fui esperança
Ninguém me ouve
Ninguém
A solidão acompanhada
É a mais dura pena
Que pode ser imposta
A um ser humano
Quando ninguém me ouve
Eu me torno ninguém
Nem eu me ouço
Ninguém.

O que eu espero do mundo?
Que todos os problemas se resolvam
Da maneira proposta
Inocentemente pelas crianças.

Esqueci de mentir
Deu no que deu
Você sabe
Quem sou eu
Pontos fortes
Pontos fracos
Os usa conforme o dia
Que deliciosa agonia
Saber que já não sou
Mais dono do meu mundo.
