Há quem eu espere,
mesmo quando o tempo
não espera por mim.
E há quem me veja —
sem pedir, sem exigir —
como se enxergasse
algo que eu quase esqueci.
Não é sobre escolher caminhos,
nem sobre trocar destinos.
É só estranho perceber
que o olhar que eu busco
não é o olhar que me encontra.
E ainda assim,
nesse encontro inesperado,
descubro que existe em mim
um brilho quieto,
que alguém percebe
enquanto outro ignora.
Talvez seja só isso:
lembrar que eu existo
para além do que desejo,
e que às vezes
o que não procuro
é o que me devolve.





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