Ninguém vê a semente
no dia em que ela decide.
Debaixo da terra, no escuro,
ela não sabe do sol,
só sabe que é hora.
A esperança é assim:
não chega de trombeta,
não pede licença.
Chega como café passado de manhã,
como janela aberta
numa casa que ficou fechada tempo demais.
Ainda tenho mãos.
Ainda tenho os olhos curiosos
de quem quer ver o que vem depois da curva.
Ainda tenho domingo,
e domingo é sempre
um começo disfarçado.
Não sei o nome do que vem.
Mas já abro as janelas,
varro a soleira,
deixo a luz acesa.
Quem planta não espera a árvore.
Planta porque acredita no chão.
