Nesse dia tão especial para mim, por conta das circunstâncias, gostaria apenas de fazer um pedido.
Vamos rezar pelos pais que perderam seus filhos, e pelos filhos que perderam seus pais por conta dessa maldita pandemia. Ontem, chegamos a 100.000 mortos no Brasil. É tudo muito triste, muito duro. São famílias despedaçadas, cheias de dor, ainda sem entender ao certo o que está acontecendo. É um momento único para o nosso mundo, um momento de mudanças e transformações, ainda que eu perceba com clareza que grande parte da humanidade ainda não tenha se atentado para isso, o que só torna as coisas ainda piores.
Agradeçam a Deus por estarem vivos. Agradeçam a Deus pela vida de seus pais e de seus filhos. E lembre-se daqueles que não tiveram a mesma sorte. Hoje, eu quero honrar os que se foram. Só isso.
Ele não a vê. Ele só a sente na pele, por todo o corpo, na mente. Ela é dele. Ela está lá. Nunca o abandonará.
Não há remédio, reza, oração, prece, promessa, jura, simpatia, garrafada ou algo similar para dela se livrar. Ela é dele. Ela está lá. Nunca o substituirá.
A pulga atrás da orelha está presente, em todo o tempo e qualquer lugar. Ela é dele. Ele é dela. Ela é dele. Ele é dela. Ela é dele. Ele é dela…
Há dias em que a manhã parece chegar cedo demais. Há dias em que a noite parece chegar tarde demais. Há momentos que eu não quero que acabem, e que são eternidades que não duram mais do que alguns poucos segundos. Há momentos que parecem durar para sempre, e que eu gostaria que se fossem em um piscar de olhos.
Do alto dos cumes, muitas vezes sem perceber, preparei a minha queda. Da profundeza dos vales, muitas vezes sem perceber, preparei a minha ascensão. Curiosamente, já confundi cumes com vales, vales com cumes, e só me dei conta disso no depois. Depois, tudo ficou claro. Depois, tudo fez sentido. Depois, só depois.
Hoje, quero trazer o depois para o durante, para o agora. Quero entender que há vales e cumes, cumes e vales, mesmo sem saber ao certo o que são, e vivê-los como se não houvesse um depois. Como se só houvesse o agora.
Dei-me conta que não faz sentido dizer que serei isso ou aquilo depois. Depois da promoção, depois da minha filha se formar, depois de eu amar de novo. Não. O agora já é o depois de algum outro agora, de um agora que ficou para depois. Cume ou vale, vale ou cume. Agora é agora. Tanto faz.
Quando olhei para minha vida e a despi sem pudores, me dei conta dos muitos agoras que desperdicei esperando por algum depois. Não quero mais isso. Tudo que tenho é o agora e não vou deixar nada para depois. Nada.
O tempo é uma ilusão: é infinito, algo que eu não sou.
Em 2000, meus amigos e eu fomos convidados para uma Festa Julina na casa do meu padrinho. Os convidados ficaram encarregados de levar algum tipo de comida e de bebida, no maior estilo festa americana. Ele forneceu o espaço decorado, mais comida e mais bebida (incluindo churrasquinho, salsichão e até a própria churrasqueira), uma banda típica, algumas barraquinhas com brincadeiras e uma fogueira linda! De fato, uma das melhores festas que eu já fui. As crianças ficaram enlouquecidas e os pais em êxtase!
O dia era perfeito. Inverno fluminense no seu auge (uns 15o Celsius), a família reunida, os amigos, os agregados… No total, eram umas 200 pessoas no terreno amplo e arborizado (e ainda assim arenoso) de uma casa em São José do Imbassaí (Maricá/RJ). Eu estava me sentindo em casa, e de fato estava… Havia muitas histórias antigas no ar para serem recontadas ad nauseam. E muitas novas histórias para serem vividas e recontadas no futuro, no maior estilo Dark (série alemã do Netflix).
Eu estava de namorada nova. Apresentei para os amigos e tal. Ela era muito gente boa, bonita, mas de vez em quando falava umas besteiras. Era meio sem noção, meio imatura por assim dizer. Numa dessas, durante a festa, falou uma besteira nada a ver sobre uma ex minha que estava na festa na companhia de seu novo namorado. Fiquei super sem graça e me afastei da roda de amigos para pegar mais uma cerveja. Foram inúmeras naquele dia.
A minha namorada percebeu que fiquei chateado. Veio atrás de mim pedir desculpas. Preferi aceitar, até para não queria acabar com o encanto da festa. Só que o pedido de desculpas e o meu aceite aconteceram na presença do meu padrinho. Ele interrompeu a nossa conversa e disse para ela:
“Nunca peça desculpas por algo que você tenha a intenção de repetir.”
Não entendi nada no momento, muito embora meu padrinho fosse (e ainda é) uma pessoa muito sábia. Voltamos para a festa e nos divertimos demais. Sem dúvida alguma, aquele povo todo reunido e a inocência dos meus 28 anos falaram mais forte do que qualquer outra coisa.
O ano agora é 2020. Nos últimos 20 anos, muitas vezes as palavras do meu padrinho ecoaram em minha mente. Eu não entendia exatamente o porquê, mas ela insistiam em permanecer. Quis a vida me ensinar o que elas significavam, e eu aprendi. Os detalhes do meu aprendizado são irrelevantes… Coisas da vida.
Não peço desculpas por coisas que não me arrependo, só para apaziguar a situação. Se eu fiz e não acho errado, por que pedir desculpas? Obviamente, vou conversar com a pessoa e explicar o meu lado, mas simplesmente pedir desculpas ainda que me considerando certo é algo inconcebível em minha vida.
Espero o mesmo dos outros. Fez alguma besteira e quer se desculpar? Eu sou todo perdão! Eu tenho essa qualidade: eu perdoo. Sei fazer isso de peito aberto e com o coração tranquilo. Mas que ninguém ouse confundir o meu perdão com permissividade. Como gostam de dizer os americanos:
“Me engane uma vez, a vergonha é sua. Me engane pela segunda vez, a vergonha é minha.”
Nunca deixe ninguém enganar você pela segunda vez. Corte. Se afaste. Pelo seu próprio bem. Amor próprio é tudo. E mais: nunca faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você, e muito menos seja canalha ao ponto de ficar inventando desculpas só para ter a chance de fazer tudo de novo.
Enfim… Os anos passam e eu continuo aprendendo a viver. A minha então namorada não durou muito na minha vida. Está por aí. Espero que esteja feliz.
– Nossa… Você me enlouquece, me deixa sem ar… Fico até com a sensação de que vou desmaiar… Nunca senti as coisas que sinto com você… Pode estar certo disso!
Qualquer homem com um mínimo de experiência ouve essas frases com cautela. Podem ser ditas apenas para deixar o homem feliz. Por outro lado, fazer amor é muito mais do que uma coisa carnal. Quando há amor, carinho, confiança, cumplicidade, intimidade, entrega e coisas do tipo, a coisa toda acontece em outro patamar. E sim, eu também sentia o que ela sentia, e achava tudo entre nós muito natural diante do amor que sentíamos um pelo outro.
Como era muito frequente ouvi-la dizer essas coisas (todas as vezes), um dia eu resolvi falar mais sobre o assunto.
– Da maneira que você fala, parece até que tenho algum tipo de super poder. Não tenho. E te digo mais… Tudo que acontece entre a gente, que de fato é maravilhoso, é algo só nosso, que já existia em você, que já existia em mim. O amor que sentimos um pelo outro faz as coisas acontecerem dessa forma.
– Mas se já existia, por que demorou tanto tempo na minha vida para eu sentir algo assim? Nunca senti nada nem perto disso… Tudo é novidade… Tenho vontade de fazer coisas que nunca pensei que fosse fazer nada vida…
– Eu acredito – retruquei – até porque eu também sinto isso. Sinto exatamente a mesma coisa. Aliás, andei pensando sobre esse assunto esses dias e encontrei a resposta. De nada adianta um homem ter uma Ferrari se não souber como pilota-la.
– Não entendi… O que você quer dizer com isso? – ela era pura curiosidade ao fazer essa pergunta. Chegou a se afastar de mim e a me encarar para fazê-la.
– Você é uma Ferrari. Só faltava encontrar o piloto certo.
Ela me encarou por alguns segundos, e me beijou profundamente. E mais uma vez, foi tudo como nunca, como era sempre entre a gente.
Quando cheguei ao topo do monte, pude ver montanhas muito maiores por detrás. Não desanimei. Eu só conseguia ver o monte, e foi por isso que decidi subi-lo. Agora, vou subir montanhas, e só vou subi-las porque um dia eu decidi subir o monte. As montanhas eu simplesmente desconhecia.
Amplie seus horizontes. Comece de algum lugar. A vida só se apresenta em toda sua imensidão quando você estiver disposto a buscá-la. Saia da sua zona de conforto, do seu chão. Nada de novo acontece aonde você está. Mexa-se.
Eu me lembro do quanto era fantástico fazer amor com você. Você dizia e fazia como se me amasse, e eu a amava integralmente, totalmente – Parecia que de fato nos amávamos – E todas as vezes que nos deitávamos era assim.
TODAS
Cada toque meu em seu corpo, por mais safado e absurdo que fosse Também era sempre um profundo gesto de amor e reverencial respeito. Fui fiel a você em toda e qualquer circunstância. Mais do que isso, fui fiel a mim e a meus sentimentos Você era para mim a personificação do sagrado feminino.
SEMPRE
Mas, se aquela com a qual me deitei tantas vezes era só uma projeção ou espelhamento dos meus desejos, Uma persona criada para tirar de mim o que eu sou capaz de ser e fazer somente quando amo e acredito que sou amado, Sou obrigado a reconhecer que eu jamais me deitei ou fiz amor com você. E as consequências disso são inevitáveis e inadiáveis: Em tempo algum me teve ou foi por mim amada de verdade: sequer sei quem é você.