Eu te tinha
Não, tu não eras minha
Mas eras dona do meu coração
As risadas que dávamos juntos
A tua implicância
A tua maneira de me fazer rir…
Eu te achava linda…
Mas eu era imaturo e não entendia
Que eras bem mais do que aquecia meus sentidos
Hoje, só de reconhecer isso
Já sinto algum tipo de alívio:
Fazer as pazes com o passado é imperativo
O café está de pé
A churrascaria vegana também
E tudo mais o que quiseres
A vida apronta –
Ela não vem pronta –
E confesso:
Eu era meio besta.
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Beija-me
Beija-me
Com gosto de café
Beija-me não apenas com a boca
Beija-me com a alma
Beija-me com tudo –
Toda! –
Beija-me da cabeça até os pés.
Morda!
Morda!
Mas não me leve em pedaços:
Engula-me inteiro.

Inside your insides
I am present
But I am not public
I am here and there
Everywhere
Present
But not public
Memories
Dreams
Stories
Shivers
Chills
Fevers
Always present
But not public
You see, my darling
This is how it goes:
I don’t have to be public
To be present
And being present
Deep inside
Your insides
Requires much more depth
Than being public.

Volta e meia
Perdão:
É aquilo que fui capaz de lhe dar
Sem você ter sido capaz de pedir
E fiz isso por mim:
Para que minhas memórias –
Nossas histórias –
Me invadam
E me façam sorrir
Coisa que volta e meia
Acontece
Sem querer
Ou pedir
Não
Eu não fui um erro
Não
Em silêncio
Pergunte de mim
Para o seu coração
Você sabe disso
E talvez justamente por isso
É que tenha tanto medo –
Tanto receio –
De sentir
E para si mesma pedir
Perdão
A vida segue
E o que é
Prossegue
Longe do toque
Dos dedos
Impresso na alma
E talvez
Mais vivo que nunca
Na negação
Volta e meia…
Volta e meia…
Volta e meia…

Café com você
Quando tudo isso passar –
Seja lá o que tiver que passar –
A primeira coisa que vou querer
É tomar um café com você
E que seja com bolo de fubá
Cheio de erva doce
Para a gente aproveitar
Tudo que a gente sempre negou
Mas que a vida sempre quis que fosse.

Alma limpa
Havia algo de despretencioso
No silêncio dos meus lábios
Nas batidas compassadas
No meu coração
Havia algo de belo
Na ausência das rimas
Na calmaria dos gestos
Nos meus pés no chão
Havia algo de precioso
Nas páginas dos livros
Nos filmes introspectivos
Na profunda reflexão
Havia algo de singelo
Nas brisa suave
Nos sonhos risonhos
No incondicional perdão
Havia algo
De novo
De novo
Eu havia.

Pigarro
Estive pensando
Em mim
Em você
Em nós
Nos nós
Na garganta –
Pigarro –
Difíceis
De engolir
Coisa pouca
Eu e você
Queijos e vinhos
Nenhuma roupa
Nenhuma pretensão
Mais nada
Mais ninguém
Eu estou bem
O dulçor
E o amargor
Da saudade
Me guarnecem
Me aquecem
Feito prece
O resto
É o resto
É o momento
No tempo
Em deixar
Por decidir.

Quase nada
Procurei em tuas palavras
Algo que fizesse sentido
Abraço ou ombro amigo
Não encontrei nada
Olhei para o vazio
Para o leito de um rio
De onde tudo já jorrou
E no qual não corre nem mais água
Não é que tenha dado em nada
Tudo deu e tudo foi
O antes, o durante e o depois
Esperanças embalsamadas
Afasta-me o tempo
Derruba-me sem alento
E o que ficou para comer
Foi a poeira da estrada
Nas idas e vindas
Das eternas despedidas
Restou só um amor
Que não vale nada.

Espelhando
Eu sorri para o meu espelho
E meu velho espelho
Pois-se a me sorrir
E sem me dar conta
Ou mesmo fazer de conta
Acabei dele e de mim rir
E ficamos assim
Sorrindo um para o outro
Em momentos sem fim
E sorrindo dali me fui
Sorrir para a vida
O sorriso que a vida deu para mim.
