Nada de azar
Nada de sorte
Só o que eu preciso
Para construir a minha história
E renascer de mim
Por mim
Por fim.

O que eu procurava
Em mim já existia
E se transformava em poesia
A todo instante
Um universo inteiro
A lua e o sol
Na vida um crisol
De tudo que é verdadeiro
Vivos e gritantes
Os abraços e os beijos
As paixões e os desejos
As taças que já bebi
Todas as minhas vísceras
As tristezas e os medos
As confissões e os segredos
O amálgama de mim
Era essa a minha loucura
Procurar o que eu já tinha
O que em mim se aninha
O que estou disposto a oferecer
É tudo gratuito
Pois nada tem preço
Porque tudo que ofereço
É porque só sei ser assim.

Ao andar sozinho
Percebi detalhes do caminho
Fui capaz de ouvir meus passos
Observar minha respiração
E o ritmo do meu coração:
Eu me senti
Ao andar sozinho
Passei por flores e espinhos
Becos, avenidas e praças
Do chão batido ao asfalto
Do sapê ao concreto, do aço à lata:
Eu senti o mundo
Ao andar sozinho
Provei todas as cores e temperos
Beijos e abraços intensos, insossos e acesos
Camas desarrumadas e fartura sobre as mesas
Tudo passageiro com retrogosto definitivo:
Eu senti o passar do tempo
Ao andar sozinho
Nada controlei ou antecipei
Nada esperei e muito recebi
E com o peito inundado pela esperança
Tornei-me da minha vida autor e protagonista:
Eu me reconheci.
