Sabe o que é…
É que o céu está azul…
E daí?
E daí, nada…
É que
Por você
Tudo é
De alguma forma
Motivo.

Sabe o que é…
É que o céu está azul…
E daí?
E daí, nada…
É que
Por você
Tudo é
De alguma forma
Motivo.

Adoro ver esse sorriso
Em todos os teus lábios.

Falta-me inspiração
Porque nada me falta
Ou se me falta algo
Disso não me dei conta
Sinto-me estranho:
Sinto falta de sentir falta
Pois bem…
A plenitude e eu
Somos péssimos amigos
E ela só me visita
Quando eu não a procuro
E teima em aparecer
Quando não é chamada
Abusada!
Mas já que chegou do nada
Toma comigo um café
E aproveita a sua estada
Prometo trata-la bem
Ainda que não seja minha convidada.

Todos nós temos histórias tristes para contar, até mesmo os que são felizes. Porque não são as nossas histórias que definem se somos felizes ou não, mas sim como nós contamos (até para nós mesmos) estas histórias.

Quando olho para meu passado
Percebo os momentos exatos
Em que fiz demais
Tentei demais
Falei demais
Demais…
Não mais!
Porque quem eu era
Já não mais sou
Mas ainda sou
E ainda sinto
Sinto muito
Ademais.

Tínhamos essa mania louca
De olhar um para o outro
Em lados opostos da mesa
E nos confundir com comida
Poderíamos até culpar o vinho
Mas tornou-se um hábito
Ver a mesa posta
As vontades expostas
E a comida quase intocada, fria
A fome?
Saciada, todavia.

A gente não procura um amigo para ele dizer que “tudo vai passar”, mas para tomar umas e rir junto com a gente até que o tal tudo passe.

Admiro tanto os poetas
Ao ponto de não me considerar um
Leio coisas que me desnudam
Que desnudam os outros
Métricas, rimas
Tudo perfeito
Nem mais, nem menos
As coisas como são
Mas eu não sei como são as minhas coisas
Só sei que são
E talvez ser poeta seja isso –
Não sei –
Falar das coisas como as vejo
Como as sinto
Como com elas pelejo
E esse meu esforço pagão
Há de fazer sentido
Na vida, em algum vão perdido
Das minhas coisas como são
É uma forma de dizer –
E como eu preciso dizer –
Não sou em vão!
Feito vela que vejo acesa
Que traz você em sua chama
Ora sinuosa, ora imóvel
Me iluminando
Me queimando
Feito milhões de sóis
À luz desta vela eu sigo
Velando dia e noite
Ainda que sem voz
Até que a chama se apague
E tudo mais se cale
E fiquemos em definitivo a sós.

Sejamos claros:
Não é porque você não os tem
Que eu não os tenho
Tire seus sapatos –
Limpes suas patas –
Antes de adentrar na minha vida
Se for para chegar
Que chegue leve, suave
Cheirosa, aquosa
Despreocupada, apaixonada
Completamente nua
(minha e sua – nossa)
Não, não são entraves
São só limites.
