Avatar de Desconhecido

Asas

Eu jamais tiraria o teu chão

Sem ter a certeza de que poderias voar –

Eu já tinha visto as tuas asas!

Avatar de Desconhecido

Rotatória

Não há nada que você possa dizer ou fazer que seja capaz de me fazer sentir pior ou melhor do que me sinto.

E repetindo essa espécie de mantra, no dia a dia eu passei a vivencia-lo, iniciando meu processo de cura.

Não precisei criar narrativas fantasiosas onde você era a pior criatura do mundo, e eu o mocinho de um filme de faroeste ou de terror. Não precisei te culpar por nada. Não foi tudo em comum acordo? Não precisei difamar você ou mesmo mentir para justificar o que vivemos. Não precisei desconstruir ou destruir você. Não precisei pensar em algum tipo de vingança ou atitude intempestiva de maior impacto. Para quê? Por quê? Em nome do quê? Não precisei me esquecer de nada que vivemos, de onde fomos, e muito menos de tudo que sentimos. – Sim! Juntos, os dois! – Não precisei dizer que nunca te amei ou que você nunca me amou, ou mesmo dizer que fui usado, manipulado. Não precisei envolver terceiros, fornecendo a eles informações privilegiadas que obtive de você por conta da nossa intimidade e da confiança que você depositava em mim. Não precisei falar mal da sua família, da sua casa, das suas coisas. Não precisei fingir que te esqueci. Não precisei sequer deixar de te amar para seguir em frente. Eu posso seguir em frente e continuar te amando. E posso amar de novo, e de novo, e de novo, e de novo… Posso recomeçar quantas vezes forem necessárias e isso não é uma escolha. Isso faz parte de quem eu sou.

Há sempre pelo menos uma saída de uma rotatória, nem que seja a mesma via que um dia já serviu de entrada. E eu entrei na sua vida pela porta da frente. Obrigatoriamente, portanto, essa saída passa pela minha integridade e pela minha capacidade de honrar e respeitar o meu passado, aceitando as coisas como elas realmente são, sem mágoas ou ressentimentos. Vida que segue.

O nosso amor foi e é como uma flor, e toda flor tem seus espinhos. E nem por isso, ou justamente por isso, é que nunca deixará de ser flor.

Avatar de Desconhecido

Fly, you butterfly!

Fly

You, butterfly!

Get as high as you can

You, fantastic butterfly!

Just fly…

I am bewittled

You are such

A butterfly!

Never wonder

Nor wander

Why

Just fly

You, incredible

You, high

You, invincible

Incredible

Beloved

Butterfly!

Avatar de Desconhecido

Canelas secas

Confiei em ti
Ao ponto de
Confiar a ti
Meus segredos

Tornei-me
Propositadamente
Conscientemente
Vulnerável
E tu não sabes
Lidar com isso

Eu entendo…
Não caibo –
E no fundo
Tu sabes –
No que é raso
E minhas canelas
Mal se molharam:
Permanecem secas.

Avatar de Desconhecido

Eu vou respeitar o meu coração

Eu vou respeitar o meu coração
Em qualquer situação
Em todo momento
Durante todo o tempo
Até a última hora

Nem sempre o entendo
Mas sempre o respeito
Para ele não ir embora

Guardo dentro dele coisas gigantes
Tesouros incalculáveis:
Sonhos
Pessoas
Futuro
Presente
Passado

Um pouco de tudo
Até mesmo do nada
Mas nenhum centavo
Nada do que me pode
Ser tirado

E há momentos
Em que ele não cabe dentro de mim
E foge pelas minhas mãos
Feito pichador
Que nas paredes do meu mundo
Liberta-me pintando poesias

Talvez as coisas andem
Um pouco desarrumadas
Mas nele está
Tudo que deveria estar

E quando ele se agita –
E sempre se agita –
Desarruma-me
Mas é justamente desarrumado
Completamente desarrumado
Que me sinto mais vivo
Mais no rumo
Seja lá qual rumo for

Eu já quis ter o poder
De decidir o que nele ficaria
Ou o que nele eu colocaria
Quanta hipocrisia!

Mas não…
É melhor não…
Ele tem vida própria
E eu só tenho o que chamam de razão.

Avatar de Desconhecido

A flor

Uma vez, antes de sumir no mundo, ela deu uma flor para minha mãe. Uma daquelas que vem em um vaso pequeno. Uma violeta. Ela quis agradecer a minha mãe por tê-la recebido em sua casa. A flor era cor de rosa, talvez arroxeada. Algo assim. Homens não costumam ser bons com cores.

Todo dia eu via minha mãe conversar com a tal flor. Nada de anormal. Ela sempre dava bom dia para as plantas da casa. Só que no caso dessa flor, eu sentia que era diferente. Como tinha sido um presente, a sensação que eu tinha era de que havia algo de especial entre as duas. Não sei explicar ao certo o que, mas sei que havia.

Confesso que eu passava ao lado da tal flor e pensava em joga-la no lixo. Só que quando eu chegava perto dela, eu simplesmente não tinha coragem. Não seria justo fazer nada contra ela, até porque eu sabia que ela havia sido dada de coração. Eu tinha certeza disso.

E os dias se passaram… As semanas se passaram… Os meses se passaram… Talvez uns 5 ou 6 meses. Eu não fazia ideia que uma flor dessas poderia durar tanto! E eu fui me acostumando… Não dava bom dia para ela, mas era uma lembrança que me fazia sorrir.

Um dia, porém, ao chegar perto de minha mãe, percebi que ela estava entristecida. Olhei para o vasinho e percebi que a flor estava seca. E eu perguntei o óbvio:

– O que houve com ela? Morreu?

E minha mãe me olhou nos olhos, colocou a mão no meu peito como só uma mãe sabe colocar, e me disse:

– Mas ela está viva aqui, bem dentro do seu coração.

E nesse dia, depois de tantos anos, eu finalmente descobri que meu coração era e é um jardim. E minhas lágrimas o regaram. Lágrimas represadas. Simplesmente lágrimas.

Depois disso, vi muitas flores. Há flores aqui e ali. É só saber procurar. Mas daquela flor, que sequer era minha, eu nunca mais me esqueci, e sei que, de alguma forma, ela ainda vive dentro de mim.

Avatar de Desconhecido

Até você

Você sussurrava
Em meus ouvidos
Feito vento leve
Feito brisa do mar…

Nunca se deu conta
Dos furacões
E tempestades
Dos maremotos
Dos rochedos
Dos raios
Dos trovões
Que causava
Bem dentro de mim

Cada palavra era um grito –
Um uivo aflito –
E eu ando meio surdo
De não mais lhe ouvir

Eu era nau
Sem rumo
E todos os rumos –
O desconhecido! –
Levavam-me
De volta
Até você.

Avatar de Desconhecido

Antologia de Poesia Brasileira Contemporânea

Pois é… Uma poesia minha minha foi selecionada. Sim… É uma editora do além mar, da terra de Fernando Pessoa, o que me deixa mais honrado ainda. O nome completo da obra é Volume V da Antologia de Poesia Brasileira Contemporânea: “Além da Terra Além do Céu”. O que eu posso fazer além de agradecer a Deus, a minha família, a vocês, ao Universo?

A poesia selecionada? Vocês vão descobrir em Março, quando o livro for publicado. Não é uma poesia inédita, só para deixar claro.

E hoje, obviamente, vai ter festa! Claro que vai. Não vai ter aglomeração, claro, mas vai ter festa… Óbvio que vai. 🙂

Meus agradecimentos mais do que especiais para a Francielle Santos, autora do blog “Reescrevo me“, que veio me cutucar e me dar uma série de ideias. Sem ela, nada disso estaria acontecendo. Fran, um beijo gigante para você! Já te agradeci “ao vivo”, mas faço questão de deixar aqui o registro. Há muitas coisas boas acontecendo na minha vida ao mesmo tempo, e você é uma delas. OBRIGADO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Avatar de Desconhecido

Voo rente ao chão

É preciso ter força
E muita coragem
Para rebobinar o filme
Rever as cenas com precisão

É preciso desver
Para ver de novo
Para entender o sentido
E sentir os motivos, a razão

É preciso humildade
Para olhar nos olhos
Para deixar o coração dizer
Eu errei e pedir perdão

É preciso se fechar
Para poder se abrir
Ver as coisas como de fato são
Viver a intensidade da imensidão

É preciso precisar
Lutar para se encontrar
Ouvir a voz da alma
Recobrar a compreensão

Sem o que é preciso
Tudo é impreciso
Difícil e amargo
Asas cortadas e voo rente ao chão.

Avatar de Desconhecido

Tem que manter isso, viu?

Poesia em homenagem ao Presidento Temer. 🙂

Tem que manter isso, viu?

Senti um incômodo no peito
Um escândalo na alma
Fiquei inquieto
Elétrico

Não te liguei
Não te avisei
Me joguei
Fui

Beijei tua boca
Te segurei pelos cabelos
Te joguei no sofá
Nua

E quando tudo acabou
Nos abraçamos
E eu adormeci
Exaurido

No dia seguinte
A TV me acordou
E vi o Temer

Tudo que pude fazer
Foi olhar para você e dizer:
“Tem que manter isso, viu?”