Me conta tudo que eu nunca quis ouvir Me deixa te sentir por completo Em todas as partes do meu corpo Em todas as minhas células Pulsando pelas minhas veias Não tenha dó de mim!
A noite avança Com suas sutis rudezas: Nada é pouco Tudo é muito Talvez mais do que muito Ainda que não seja o bastante Para me fazer desabar em meu leito
O sono… Esse meu amigo traiçoeiro Que de mim foge de vez em quando É também fiel conselheiro: Fatos sobrepõe-se a sentimentos E desmascaram fantasias e luxúrias de noites opacas Rasgadas e devassadas por realidades translúcidas Onde todos os meus tolos e inocentes devaneios São partidos ao meio
Mas também é na madrugada Que sempre sou mais meu E hoje – Mais uma vez – Durmo acompanhado Vamos passar a noite inteira acordados Nus, amarrados e abraçados – Pura honestidade – Só a minha raiva e eu.
Haverá momentos na sua vida em que será necessário se impor. E se para isso for necessário subir o tom das conversas, que assim seja. Nunca se esqueça que é seu direito e sua obrigação deixar claro quais são os seus limites. Não seja o “bonzinho” que aceita tudo calado e se destrói por dentro. Seja gentil, educado, mas, acima de tudo, respeite-se! A sua vida agradece. 😉
Vamos supor que um produto custe USD 1 (1 dólar americano) no mercado internacional. É uma commodity qualquer. O produtor dessa commodity olha para o mercado interno, ou seja, para o Brasil, e percebe que pode vender o produto por R$3,00. Tudo bem. Afinal de contas, 1 dólar está valendo R$3,00. Para o produtor, é absolutamente indiferente vender no Brasil ou para o exterior.
Entretanto, por algum motivo, o dólar sobe para R$5,00. A cotação internacional do produto, entretanto, permanece a mesma: 1 dólar. E o produtor pensa: “Poxa, se eu vender o meu produto no mercado externo, vou ganhar R$5,00 ao invés de R$3,00. Vale muito mais a pena, até porque as peças de reposição para a máquina que fabrica esse produto também ficaram mais caras, pois elas são importadas. Vou exportar minha produção.”
Enquanto isso, o dono de um mercado qualquer no Brasil precisa fazer um pedido do tal produto. Liga para o produtor e pergunta o preço. O produtor diz que agora o preço é R$5,00, pois ele vai exportar toda a produção. O dono do mercado fica indignado, mas fica sem saída: precisa pagar R$5,00 no produto ou não ter o produto em seu mercado. Ele até liga para outro produtor para verificar se é um caso isolado, mas não: todos os produtores subiram seus preços.
Dona Maria, que sempre acompanhou os preços dos produtos (adora ir ao mercado), fica horrorizada quando se depara com a subida do preço do produto no mercado. Como ela não entende nada de Economia (e não tem obrigação de entender), ela lembra de uma mensagem que recebeu de uma tia do WhatsApp tia dizendo que “os donos de mercados precisam ser mais patriotas”. Ela faz um escândalo no mercado. Diz que é um absurdo. Chama o dono do mercado de ladrão. Diz que nunca mais vai por os pés naquela espelunca e vai embora animada, certa de ter cumprido o seu dever cívico. Lembrou até dos tempos em que fazia o mesmo enquanto “Fiscal do Sarney”, mas preferiu ignorar a lembrança. “Outros tempos… Nada a ver…”, pensou.
Vai em outro mercado em seguida. Ela quer comprar barato. Ela não é otária. E no outro mercado, para sua surpresa, o preço também subiu. Ela chega a conclusão que todos os donos de mercado são todos ladrões. Sem saída, compra o produto pelo preço novo. É um produto essencial.
Furiosa, ela não não se contém. Conta para as amigas que a culpa é dos que disseram que era para deixar a economia para depois. Ela mesma ficou em casa se borrando de medo da doença, pois perdeu um primo para a COVID-19 (ela chora todos os dias quando lembra do quão jovem ele era – maldita doença!). Mas isso não interessa! Ela conversa com um dos sobrinhos que diz que o mal do Brasil são os comunistas e o vírus chinês. O irmão diz que é tudo culpa dos governadores e prefeitos. Falam mal do Mandetta, do Drauzio Varella, da China… Mais uma vez xingam os donos dos mercados. Vendidos! Comunistas! Aproveitadores!
E enquanto isso, na China, que pagou 1 dólar pelo produto, está tudo bem. O produtor brasileiro está feliz porque recebeu mais pelo seu produto. Dona Maria não consegue comprar mais a mesma quantidade do produtos que conseguia antes. A aposentadoria dela não foi reajustada. Só os preços dos produtos que subiram. “Esses donos de mercado são todos uns vagabundos! Eles me pagam!”