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Foge não!

Vem cá…
Senta aqui…
Não fuja mais de mim!

Estou pronto!

Me conta tudo que eu nunca quis ouvir
Me deixa te sentir por completo
Em todas as partes do meu corpo
Em todas as minhas células
Pulsando pelas minhas veias
Não tenha dó de mim!

Cansei de te evitar
Cansei!

Vem cá, verdade…
De verdade:
Foge não!

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Urgências

De todas as urgências que tenho

Nenhuma é maior do que me ter

Porque eu não me caibo

Eu sou maior do que eu mesmo sei ser.

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Soberana

Ela não pediu minha permissão
Só segurou na minha mão
E me fez olhar para frente

Não me pediu explicação
Sem nenhum porém ou senão
Acalentou minha alma descrente

Não tocou meu corpo em vão
Fez novamente bater meu coração
Disse-me tudo que realmente sente

Invadiu-me a felicidade do seu condão
Mostrou-me que nada foi em vão
E que tudo pode um homem valente

Homem
Ela me teve como homem
E ela em mim se fez mulher
Do tipo que sabe o que quer.

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Madrugada

A noite avança
Com suas sutis rudezas:
Nada é pouco
Tudo é muito
Talvez mais do que muito
Ainda que não seja o bastante
Para me fazer desabar em meu leito

O sono…
Esse meu amigo traiçoeiro
Que de mim foge de vez em quando
É também fiel conselheiro:
Fatos sobrepõe-se a sentimentos
E desmascaram fantasias e luxúrias de noites opacas
Rasgadas e devassadas por realidades translúcidas
Onde todos os meus tolos e inocentes devaneios
São partidos ao meio

Mas também é na madrugada
Que sempre sou mais meu
E hoje –
Mais uma vez –
Durmo acompanhado
Vamos passar a noite inteira acordados
Nus, amarrados e abraçados –
Pura honestidade –
Só a minha raiva e eu.

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Nunca se deu conta

Nutria grande paixão
Por livros

E ela lia
Lia
Lia
Lia…

Ora chorava
Ora sorria

Dia após dia
Dia e noite
Noite e dia

Nunca se deu conta
De que era um livro
Escrito com seu sangue
Com sua caligrafia –

Letras
Palavras
Frases
Parágrafos
Capítulos
Que de seus dedos
Escorriam –

E que eu queria
Minuciosamente
Vagarosamente
Lê-la.

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Vim trazer verdades 11

Espero que isso esteja claro para todos. 🙂

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Respeite-se!

Haverá momentos na sua vida em que será necessário se impor. E se para isso for necessário subir o tom das conversas, que assim seja. Nunca se esqueça que é seu direito e sua obrigação deixar claro quais são os seus limites. Não seja o “bonzinho” que aceita tudo calado e se destrói por dentro. Seja gentil, educado, mas, acima de tudo, respeite-se! A sua vida agradece. 😉

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Blue Moon

Azul…
Única…
Orbita-me:
Sou teu.

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Iluminados

Tudo era feito de luz
E nossos caminhos tão iluminados
Que de olhos fechados conseguíamos ver

Não eram as luzes da cidade
Eram as luzes da felicidade
E todos os outros conseguiam perceber

Nos viram
Nos vimos
Fomos marcados
Iluminados:
Só nos basta ser.

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Dona Maria, a iludida

Vamos supor que um produto custe USD 1 (1 dólar americano) no mercado internacional. É uma commodity qualquer. O produtor dessa commodity olha para o mercado interno, ou seja, para o Brasil, e percebe que pode vender o produto por R$3,00. Tudo bem. Afinal de contas, 1 dólar está valendo R$3,00. Para o produtor, é absolutamente indiferente vender no Brasil ou para o exterior.

Entretanto, por algum motivo, o dólar sobe para R$5,00. A cotação internacional do produto, entretanto, permanece a mesma: 1 dólar. E o produtor pensa: “Poxa, se eu vender o meu produto no mercado externo, vou ganhar R$5,00 ao invés de R$3,00. Vale muito mais a pena, até porque as peças de reposição para a máquina que fabrica esse produto também ficaram mais caras, pois elas são importadas. Vou exportar minha produção.”

Enquanto isso, o dono de um mercado qualquer no Brasil precisa fazer um pedido do tal produto. Liga para o produtor e pergunta o preço. O produtor diz que agora o preço é R$5,00, pois ele vai exportar toda a produção. O dono do mercado fica indignado, mas fica sem saída: precisa pagar R$5,00 no produto ou não ter o produto em seu mercado. Ele até liga para outro produtor para verificar se é um caso isolado, mas não: todos os produtores subiram seus preços.

Dona Maria, que sempre acompanhou os preços dos produtos (adora ir ao mercado), fica horrorizada quando se depara com a subida do preço do produto no mercado. Como ela não entende nada de Economia (e não tem obrigação de entender), ela lembra de uma mensagem que recebeu de uma tia do WhatsApp tia dizendo que “os donos de mercados precisam ser mais patriotas”. Ela faz um escândalo no mercado. Diz que é um absurdo. Chama o dono do mercado de ladrão. Diz que nunca mais vai por os pés naquela espelunca e vai embora animada, certa de ter cumprido o seu dever cívico. Lembrou até dos tempos em que fazia o mesmo enquanto “Fiscal do Sarney”, mas preferiu ignorar a lembrança. “Outros tempos… Nada a ver…”, pensou.

Vai em outro mercado em seguida. Ela quer comprar barato. Ela não é otária. E no outro mercado, para sua surpresa, o preço também subiu. Ela chega a conclusão que todos os donos de mercado são todos ladrões. Sem saída, compra o produto pelo preço novo. É um produto essencial.

Furiosa, ela não não se contém. Conta para as amigas que a culpa é dos que disseram que era para deixar a economia para depois. Ela mesma ficou em casa se borrando de medo da doença, pois perdeu um primo para a COVID-19 (ela chora todos os dias quando lembra do quão jovem ele era – maldita doença!). Mas isso não interessa! Ela conversa com um dos sobrinhos que diz que o mal do Brasil são os comunistas e o vírus chinês. O irmão diz que é tudo culpa dos governadores e prefeitos. Falam mal do Mandetta, do Drauzio Varella, da China… Mais uma vez xingam os donos dos mercados. Vendidos! Comunistas! Aproveitadores!

E enquanto isso, na China, que pagou 1 dólar pelo produto, está tudo bem. O produtor brasileiro está feliz porque recebeu mais pelo seu produto. Dona Maria não consegue comprar mais a mesma quantidade do produtos que conseguia antes. A aposentadoria dela não foi reajustada. Só os preços dos produtos que subiram. “Esses donos de mercado são todos uns vagabundos! Eles me pagam!”