Avatar de Desconhecido

O mistério das coisas comuns

Há uma sabedoria secreta nas coisas que não fazem alarde.

.

O relógio que atravessa os anos

sem jamais atrasar da própria vida.

A cadeira vazia que continua aguardando alguém,

mesmo depois de todos terem partido.

A xícara esquecida sobre a mesa,

guardando no fundo

uma borra de café

como quem preserva uma memória.

.

Há um mistério discreto

na poeira que dança ao sol,

na planta que se inclina para a janela,

na chuva que escurece lentamente a calçada.

.

Talvez o extraordinário

não esteja nas grandes descobertas,

nem nos horizontes distantes.

Talvez more justamente

nas pequenas coisas

que repetem o seu ofício

sem imaginar

que alguém as observa.

.

E talvez seja por isso

que a vida passe tão depressa:

não porque falte tempo,

mas porque quase nunca paramos

para escutar

o silêncio das coisas comuns.