Avatar de Desconhecido

O mistério das coisas comuns

Há uma sabedoria secreta nas coisas que não fazem alarde.

.

O relógio que atravessa os anos

sem jamais atrasar da própria vida.

A cadeira vazia que continua aguardando alguém,

mesmo depois de todos terem partido.

A xícara esquecida sobre a mesa,

guardando no fundo

uma borra de café

como quem preserva uma memória.

.

Há um mistério discreto

na poeira que dança ao sol,

na planta que se inclina para a janela,

na chuva que escurece lentamente a calçada.

.

Talvez o extraordinário

não esteja nas grandes descobertas,

nem nos horizontes distantes.

Talvez more justamente

nas pequenas coisas

que repetem o seu ofício

sem imaginar

que alguém as observa.

.

E talvez seja por isso

que a vida passe tão depressa:

não porque falte tempo,

mas porque quase nunca paramos

para escutar

o silêncio das coisas comuns.

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Nada

Tanta gente com pressa de tudo

E o essencial sendo deixado na calçada

Um dia o vento e a chuva levam

Quem sabe um dia

Não restem nem vestígios do

 

 

 

 

 

 

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Absortos ou loucos

Já não há mais dúvida

E tenho medo da certeza:

Não quero só tua beleza

Quero-te toda, na cama e no chão

Se nem eu mesmo sei explicar

Como podes insinuar

Que na complexidade do meu pensar

Não sei o que de fato sinto?

Rasgas meu coração quando duvidas

Do que é tão óbvio e certeiro

O que tenho de mais verdadeiro

E que carrego sempre comigo

Escarras no nosso amor

Como se este fosse uma calçada qualquer

Somos homem e mulher – sabes disso!

E é prudente que nenhum de nós se pise

Impávido e colossal amor

Incêndio que nunca se extingue

Que o destino de nós não se vingue

Por sermos tão absortos… Ou loucos.

loucura